Concordância verbal: os doze casos que as bancas realmente cobram
Concordância tem dezenas de regras, mas prova de concurso repete um punhado delas. Os casos que aparecem, com o raciocínio para decidir cada um.
Concordância verbal parece imensa quando estudada pela gramática inteira. Vista pelas provas, encolhe: os mesmos doze casos se repetem, e quase sempre pela mesma armadilha — afastar o sujeito do verbo para você concordar com a palavra errada.
A pergunta que resolve a maioria: quem é o sujeito? Ache o núcleo dele e o resto se acomoda.
1. Sujeito posposto ao verbo
O caso mais cobrado de todos. Quando o sujeito vem depois, a concordância continua sendo com ele.
Chegaram ontem os documentos do processo. Existem ainda muitas dúvidas sobre o edital.
O erro nasce da ordem invertida: como o verbo vem primeiro, a tendência é deixá-lo no singular.
2. "Haver" no sentido de existir é impessoal
Não tem sujeito, então fica sempre na terceira pessoa do singular:
Havia três candidatos na sala. Houve problemas na aplicação da prova.
E a consequência que a banca adora: quando "haver" impessoal ganha auxiliar, o auxiliar também fica no singular.
Devia haver muitas vagas. (não "deviam haver")
Cuidado com o par: existir tem sujeito e concorda normalmente. "Existiam três candidatos" está correto; "Haviam três candidatos", não.
3. "Fazer" indicando tempo decorrido
Também impessoal, também sempre no singular:
Faz cinco anos que ele estuda para concursos. Fazia dois meses que o edital estava publicado.
Com auxiliar, idem: "deve fazer cinco anos".
4. Sujeito composto antes do verbo: plural
O diretor e o secretário assinaram o documento.
Se vier depois do verbo, admite-se concordância com o núcleo mais próximo ou com o conjunto — as duas formas são aceitas:
Assinaram o documento o diretor e o secretário. Assinou o documento o diretor e o secretário.
5. Sujeito composto ligado por "ou" e por "nem"
Depende do sentido. Se há exclusão (só um pode), singular; se o fato vale para todos, plural:
João ou Maria será aprovado. (só um pode ser) Estudo ou disciplina levam à aprovação. (ambos levam) Nem o candidato nem o fiscal perceberam o erro.
6. Partícula "se": as duas caras
Este é o divisor entre quem estudou e quem não estudou.
Voz passiva sintética (verbo transitivo direto): o termo que parece objeto é, na verdade, sujeito — e o verbo concorda com ele.
Vendem-se casas. (casas são vendidas) Alugam-se salas comerciais.
Índice de indeterminação do sujeito (verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação): não há sujeito determinado, verbo sempre no singular.
Precisa-se de funcionários. Trata-se de questões complexas. Vive-se bem naquela cidade.
O teste: se dá para transformar em voz passiva analítica ("casas são vendidas"), é passiva sintética e vai para o plural. Se não dá ("de funcionários são precisados" não existe), é indeterminação e fica no singular.
7. Expressões partitivas
A maioria de, grande parte de, um terço de, metade de + plural: admite as duas concordâncias.
A maioria dos candidatos desistiu. ✔ A maioria dos candidatos desistiram. ✔
Ambas corretas. Se a alternativa afirma que uma está errada, a afirmação é falsa — e é assim que costuma ser cobrado.
8. Porcentagem
Concorda com o número, salvo quando o especificador puxa a concordância:
Foram aprovados 20% dos candidatos. 1% dos servidores aderiu à greve. 30% da turma passou. (concordância com "turma", admitida)
9. "Um dos que"
A construção pede plural, porque a oração se refere ao conjunto:
Ele foi um dos que mais estudaram.
(entre os que mais estudaram, ele é um)
O singular também é encontrado em bons autores, mas em prova a forma esperada é o plural.
10. Pronomes relativos "que" e "quem"
Com que, o verbo concorda com o antecedente:
Fui eu que resolvi a questão. Somos nós que estudamos todos os dias.
Com quem, a tradição pede terceira pessoa do singular, embora a concordância com o antecedente seja aceita:
Fui eu quem resolveu a questão. ✔ Fui eu quem resolvi a questão. ✔
11. Verbo "ser" com predicativo
O "ser" é o rebelde: em várias situações concorda com o predicativo, não com o sujeito.
Tudo são flores. O salário eram dois mil reais. Hoje são 30 de agosto.
Regra prática: com sujeito representado por tudo, isto, isso, aquilo, o que, e o predicativo no plural, o verbo vai para o plural.
12. Sujeito coletivo no singular
Coletivo pede singular, mesmo que a ideia seja de muitos:
O bando fugiu. A multidão gritava.
Só admite plural quando há um especificador no plural e distância entre os termos: "A multidão de manifestantes gritavam" é aceita por alguns gramáticos — mas em prova objetiva, prefira o singular como forma esperada.
O roteiro de trinta segundos
- Ache o verbo. Depois pergunte "quem?" ou "o quê?" — a resposta é o sujeito.
- Cuidado com o que está entre eles. Expressões intercaladas, orações adjetivas e adjuntos longos existem para desviar.
- Se há "se", identifique a transitividade — é o que decide entre plural e singular.
- Se o verbo é haver ou fazer, verifique se é impessoal: se for, singular sempre.
- Se o sujeito vem depois do verbo, releia como se estivesse antes.
Ao revisar uma questão errada de concordância, anote qual dos doze casos era. Depois de trinta questões você vai descobrir que erra sempre nos mesmos dois — e são só esses dois que precisam de estudo.
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