A conversa de um homem consigo mesmo. De um homem desdobrado em dois: ele e o seu diário. De um homem analítico e, ao mesmo tempo, com uns instantes tão anti-analíticos de devaneio poético que o diálogo parece adquirir, por vezes, aspectos quase líricos. Há nas notas um misto de lirismo anárquico e de tentativa de organização: a de um adolescente e depois de um jovem na sua primeira mocidade a buscar dar alguma ordem aos começos do seu pensar, do seu sentir, do seu viver, do seu existir. FREYRE, G. Citado por REZENDE, A. P. As travessias de um diário e as expectativas da volta. In: GOMES, A. C. (Org.). Escrita de si. Escrita da História. Rio de Janeiro: FGV, 2004. p. 77. A reflexão de Gilberto Freyre reproduzida acima diz respeito a um gênero que vem sendo denominado pela historiografia como escrita autorreferencial ou ?escrita de si?. Acerca das possibilidades de pesquisas abertas ao historiador, avalie as asserções abaixo. O gênero denominado ?escrita em si? tem-se tornado fenômeno editorial e sua documentação engloba cartas, diários, correspondências, biografias e autobiografias e, embora a ?escrita de si? seja praticada desde o século XIX, ela adquiriu tratamento acadêmico ao se tornar objeto de pesquisa histórica. PORQUE A constituição de centros de pesquisas e documentação, a partir de arquivos privados e pessoais, tanto de homens públicos quanto de populares, causou mudanças nas metodologias arquivísticas no que se refere a abrigo, catalogação e manuseio do documento, bem como no seu uso como fonte histórica. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta