O alemão Erich Paul Remark (1898-1970), que lutou na linha de frente na Primeira Guerra Mundial, publicou, em 1929, sob o pseudônimo de Erich Maria Remarque, um romance de grande repercussão, intitulado Nada de novo no front. Em uma passagem do livro, o narrador afirma: Os professores deveriam ter sido para nós os intermediários, os guias para o mundo da maturidade, para o mundo do trabalho, do dever, da cultura e do progresso, e para o futuro. Às vezes, zombávamos deles e lhes pregávamos peças, mas, no fundo, acreditávamos neles. À ideia de autoridade da qual eram os portadores, juntou-se em nossos pensamentos uma compreensão e uma sabedoria mais humana. Mas o primeiro morto que vimos destruiu esta convicção. Tivemos de reconhecer que a nossa geração era mais honesta do que a deles; só nos venciam no palavrório e na habilidade. O primeiro bombardeio nos mostrou nosso erro, e debaixo dele ruiu toda a concepção do mundo que nos tinham ensinado. REMARQUE, E. M. Nada de novo no front. Trad. Helen Rumjanek. Rio de Janeiro: Abril S.A., 1974, p. 20. Estudando a Primeira Guerra Mundial e deparando-se com a passagem acima, que se reporta ao choque produzido nas relações entre as gerações, o historiador sintonizado com o debate atual pode formular importantes indagações sobre o uso dessa fonte de pesquisa. Nesse caso, seria correto ele concluir que