De acordo com a proposta curricular para o 1.º segmento do ensino fundamental destinada à Educação de Jovens e Adultos (EJA), um dos princípios pedagógicos a ser observado pelos que trabalham com essa modalidade de ensino é a incorporação da cultura e da realidade vivencial dos educandos como conteúdo ou ponto de partida da prática educativa. Para que o ensino de geografia se guie por esse princípio, é necessário que se busque superar a geografia tradicional, que teve papel hegemônico em nossas salas de aula. PORQUE A geografia tradicional, ao se limitar à promoção da análise do empírico, lançando mão do artifício da compartimentação do todo, dificulta a compreensão da realidade como um todo que envolve ociedade e natureza. Promove, também, uma des-historização da geografia e dos próprios alunos, já que se nega o saber peculiar do aluno, por meio da exclusão deliberada do espaço real do aluno. Tais características da geografia e do seu ensino não se coadunam com a demanda histórica que perpassa o princípio anunciado na proposta curricular destinada à Educação de Jovens e Adultos, ou seja, o ensino de uma geografia, a um só tempo social e histórica, que não separa a sociedade da natureza, que considera o homem como sujeito e não como homem abstrato e que, no processo de aprendizagem, cria condições para que ele se constitua como um ser crítico, construtor/criador de seu conhecimento/saber.