As leishmanioses são zoonoses que, apesar de acometerem anualmente cerca de dois milhões de pessoas em 88 países e apresentarem franca expansão urbana, são doenças negligenciadas. No contexto epidemiológico, o cão doméstico representa a principal fonte de infecção dos flebotomíneos, que transmitem a doença aos humanos e outros a hospedeiros. Em relação à vacina atualmente disponível para cães, há controvérsias acerca de sua capacidade de neutralizar a fonte de infecção e de produzir falsos positivos, o que compromete o perfil epidemiológico da doença. Da mesma forma, o tratamento de animais portadores da doença é problemático, pois a utilização de medicamentos de uso exclusivo humano é oficialmente proibida, já que esses medicamentos permitem que a fonte de infecção permaneça ativa por mais tempo. O médico veterinário tem participação decisiva no controle das leishmanioses, sendo responsável e atuante em todas as fases da cadeia epidemiológica da doença. De acordo com o código deontológico médico veterinário, o clínico que atende um cão com suspeita de estar acometido dessas enfermidades deve