Palavra Indígena
A história da tribo Sapucaí, que traduziu para o idioma guarani os artefatos da era da computação que ganharam
importância em sua vida, como mouse (que eles chamam de angojhá) e windows (oventã)
Quando a internet chegou àquela comunidade, que abriga em torno de 400 guaranis, há quatro anos, por meio de um
projeto do Comitê para Democratização da Informática (CDI), em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta e com
antena cedida pela Star One (da Embratel), Potty e sua aldeia logo vislumbraram as possibilidades de comunicação que a
web traz.
Ele conta que usam a rede, por enquanto, somente para preparação e envio de documentos, mas perceberam que ela
pode ajudar na preservação da cultura indígena.
A apropriação da rede se deu de forma gradual, mas os guaranis já incorporaram a novidade tecnológia ao seu estilo de
vida. A importância da internet e da computação para eles está expressa num caso de rara incorporação: a do vocabulário.
— Um dia, o cacique da aldeia Sapucaí me ligou. “A gente não está querendo chamar computador de “computador”.
Sugeri a eles que criassem uma palavra em guarani. E criaram aiú irú rive “caixa para acumular a língua”. Nós, brancos,
usamos mouse, windows e outros termos, que eles começaram a adaptar para o idioma deles, como angojhá (rato) e
oventã (janela) — conta Rodrigo Baggio, diretor do CDI.
Disponível em: http://www.revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 22 jul. 2010.
O uso das novas tecnologias de informação e comunicação fez surgir uma série de novos termos que foram acolhidos na
sociedade brasileira em sua forma original, como: mouse, windows, download, site, homepage, entre outros. O texto trata
da adaptação de termos da informática à língua indígena como uma reação da tribo Sapucaí, o que revela