Uma família que reside em barraco de três cômodos na periferia de um grande centro urbano é composta por Marilda, 27
anos de idade, empregada doméstica, Heitor, 31 anos de idade, desempregado há mais de oito meses, Carlos Eduardo de
16 anos de idade, que cumpre medida socioeducativa de liberdade assistida por roubo, Francisco e Marilei, de 12 e 8 anos
de idade, respectivamente. Heitor é pai da filha mais nova, sendo os outros filhos oriundos de outros relacionamentos da
esposa. Heitor faz uso corrente de bebida alcoólica, tornando-se agressivo com a esposa e o enteado mais velho. Marilda
tem enfrentado dificuldades em relação ao processo de aprendizagem de Francisco, sendo convocada, por diversas
vezes, a comparecer à escola para tomar conhecimento de situações de violência provocadas por seu filho. Marilda, que
provê o sustento da casa, trabalha de segunda a sábado. Quando está em casa, tem de realizar os afazeres domésticos e
acompanhar Carlos Eduardo na medida de liberdade assistida, semanalmente.
Karen é terapeuta ocupacional e compõe a equipe formada por um psicólogo, uma assistente social e quatro arte-
educadores do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) no território em que reside a família. Este caso foi
discutido pela equipe, sendo sugeridas estratégias intersetoriais, pautadas na Política Nacional de Assistência Social-
PNAS (BRASIL, 2004), identificando, como prioridade, o trabalho em rede social de base comunitária e tendo como
objetivo minimizar os efeitos de vulnerabilidade a que está submetida a família assistida.
Diante da situação apresentada, avalie a pertinência das seguintes ações a serem desempenhadas por Karen e pela
equipe multiprofissional.
I. Realizar contato com a instituição que executa a medida socioeducativa, propondo reuniões para acompanhamento de
Carlos Eduardo na liberdade assistida. Encaminhar Heitor para solicitação de benefício de auxílio-desemprego. Verificar a
documentação de todos os familiares e encaminhá-los para os serviços públicos existentes para a sua regularização.
II. Realizar reuniões com serviços de saúde, escola, ONGs, equipamentos de cultura, esporte e lazer da região em que
reside a família para discussão do caso e sua futura inserção . Desenvolver estratégias para reabilitação da dependência
química no território em que reside Heitor. Realizar atividades plásticas visando à produção artística e cultural.
III. Realizar visita domiciliar para conhecer a dinâmica familiar e levantar necessidades básicas quanto às condições de
moradia, saneamento básico, alimentação. Realizar reuniões com serviços de saúde, escola, ONGs, equipamentos de
cultura, esporte e lazer da região em que reside a família para discussão do caso e sua futura inserção. Incluir Carlos
Eduardo em cursos profissionalizantes.
IV. Realizar contato com a instituição que executa a medida socioeducativa, propondo reuniões para acompanhamento de
Carlos Eduardo na liberdade assistida. Encaminhar Heitor para o Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas (CAPS
ad) para tratamento da dependência química. Realizar contato com a escola onde Carlos Eduardo, Francisco e Marilei
estudam para acompanhá-los no desempenho educacional. Inserir Francisco e Marilei nas oficinas socioeducativas.
São pertinentes ao caso apenas as ações