Janelas de ontem e de hoje Os velhinhos de ontem costumavam, sobretudo nos fins
de tarde, abrir as janelas das casas e ficar ali, às vezes com os cotovelos apoiados em almofadas, esperando que algo acontecesse: a aproximação de um conhecido, uma correria de crianças, um cumprimento, uma conversa, o pôr do sol, a aparição da lua. Eles se espantariam com as crianças e os jovens de hoje, fechados nos quartos, que ligam o computador, abrem as janelas da Internet e navegam por horas por um mundo de imagens, palavras e formas quase infinitas. O homem continua sendo um bicho muito curioso. O mundo segue intrigando-o. O que ninguém sabe é se o mundo está cada vez maior ou menor. O que eu imagino é que, de suas janelas, os velhinhos viam muito pouca coisa, mas pensavam muito sobre cada uma delas. Tinham tempo para recolher as informações mínimas da vida e matutar sobre elas. Já quem fica nas janelas da Internet vê coisas demais, e passa de uma paraoutra quase sem se inteirar plenamente do que está vendo. Mudou o tempo interior do homem, mudou seu jeito de olhar. Mudaram as janelas para o mundo - e nós seguimos olhando, olhando, olhando sem parar, sempre com aquela sensação de que somos parte desse espetáculo que não podemos parar de olhar, seja o cachorro de verdade que se coça na esquina da padaria, seja o passeio virtual por Marte, na tela colorida. (Cristiano Calógeras) Considere as seguintes afirmações: I. O primeiro parágrafo ilustra a afirmação de que havia mais tempo, antigamente, para recolher as informações mínimas da vida e refletir sobre elas. II. O autor do texto afirma que a única diferença entre abrir as janelas das casas e abrir as janelas da Internet está no tipo de imagem que é recolhido. III. Quaisquer que sejam as janelas que o homem abra, todas lhe dão a mesma sensação de que ele pouco tem a ver com o que observa a distância. Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em