Na Reserva Ecológica do Guará, pequena Unidade de Conservação da Natureza com 194 hectares, foram registrados 44 gêneros e 100 espécies de Orchidaceae. Do total de táxons da reserva, 80 (76%) são terrestres e 22 (21%) são epifíticos. Nas fitofisionomias florestais, ocorrem 42 táxons, distribuídos segundo um gradiente vertical de umidade e luminosidade. Nas fitofisionomias campestres ocorrem 63 táxons, distribuídos segundo um gradiente horizontal de umidade que vai do campo limpo inundável ao campo sujo seco e cerrado. O campo limpo inundável e o campo limpo estacionalmente úmido, com 42 táxons, são as fitofisionomias com o maior número de táxons. Espécies como Pelexia goyazensis, Sarcoglottis sagitatta, Platythelys paranaensis e Cyanaeorchis minor só foram observadas floridas em áreas anteriormente queimadas. O tempo de resposta dessas espécies à passagem do fogo é variável.
Alguns táxons respondem pronta e positivamente ao fogo, estando entre as primeiras plantas a florescer após uma queimada, como Pelexia goyazensis e Sarcoglottis sagitatta, que florescem até duas semanas após a ocorrência do fogo. Outras florescem após um período maior, como Cyrtopodium fowliei e Cyrtopodium pallidum. Orchidaceae da Reserva Ecológica do Guará, DF, Brasil. João Aguiar Nogueira Batista; Luciano de Bem Bianchetti; Keiko Fueta Pellizzaro. Acta Bot. Bras, v. 19, n.º 2, São Paulo, abr./jun./2005 (com adaptações). Tendo como referência o texto acima, julgue os itens a seguir O texto mostra que o fogo pode desempenhar papel benéfico na floração de algumas espécies de orquídeas, sugerindo que o bioma cerrado tenha passado por um processo adaptativo em relação ao fogo.