TEXTO II Alcatrazes Expedição ao Arquipélago Proibido Johnny Mazzilli O balanço do barco, o mar instável e a chuva puseram parte de nosso efetivo enjoado e cabisbaixo, durante as quatro horas de travessia. Com a visibilidade prejudicada, avistamos Alcatrazes já relativamente próximos, e bastou chegar um pouco mais perto para esquecermos qualquer mal estar - a paisagem mudara por completo e olhávamos impressionados as falésias rochosas com 200, 300 metros verticais assomando diretamente das águas e entremeadas por mantos de vegetação tropical - muito, muito maiores do que imaginávamos. Ao contornar a ilha principal em busca do Ninhal das Fragatas, nosso ponto de ancoragem, demos de cara com a exuberância da fauna, uma espécie de "Galápagos" do litoral paulista. Milhares de aves se empoleiravam nos arbustos costeiros e centenas voavam gritando acima de nós, num cenário que parecia nos remeter ao passado. O desembarque é moroso -tudo tem que ser transferido para um bote de borracha com motor de popa que conduz as tralhas ao costão em sucessivas e lentas baldeações. Não há praia ou cais e são necessárias seguidas aproximações, recuos e reaproximações com o bote, apenas para descer a carga de uma viagem. A tralha era extensa - pilhas de mochilas, equipamentos de mergulho e fotográfico, cordas, bolsas impermeáveis e caixas, muitas caixas com itens para pesquisa e coleta de animais. Chovia sem parar enquanto subíamos carregados pela encosta rochosa escorregadia em direção ao local do acampamento, a 50 metros dali. Parou de chover quando montamos o acampamento. Precisávamos de tempo para as pesquisas e principalmente para a investida na parede rochosa - trabalho inédito nas ilhas e que gerou grande expectativa entre as equipes. Cada time composto por membros do Projeto Tamar, Instituto Butantã, Fundação Florestal, Biociências da USP e Projeto Alcatrazes faria, no curto prazo de doisdias, suas próprias pesquisas com aves, serpentes, répteis e batráquios. Revista Planeta, out. 2006, p. 37 (fragmento).
O texto é predominantemente narrativo e nele prevalecem as passagens que descrevem as ações, como se comprova pelas transcrições abaixo, EXCETO: