Serei de tal modo dependente do corpo e dos sentidos que não possa existir sem eles? Mas eu me persuadi de que nada existia no mundo, que não havia nenhum céu, nenhuma terra, espíritos alguns, nem corpos alguns: não me persuadi também, portanto, de que eu não existia? Certamente não, eu existia, sem dúvida, se é que eu me persuadi, ou, apenas, pensei alguma coisa. Mas há algum, não sei qual, enganador mui poderoso e mui ardiloso que emprega toda a sua indústria em enganar-me sempre. Não há, pois, dúvida alguma de que sou, se ele me engana; e, por mais que me engane, não poderá jamais fazer com que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa. De sorte que, após ter pensado bastante nisto e de ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito. DESCARTES, R. Meditações. In: Descartes. Trad. de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 73-142. (Os Pensadores). Com base na passagem acima, em que Descartes afirma a existência do pensamento, analise as afirmações abaixo. I. Trata-se, nessa passagem, do cogito como verdade eterna. II. Trata-se, nessa passagem, do cogito como verdade temporal. III. Trata-se, nessa passagem, do cogito afirmado da negação do Deus enganador. IV. Trata-se, nessa passagem, do cogito como primeira certeza do sistema cartesiano. V. Trata-se, nessa passagem, do cogito afirmado da negação da existência do mundo, do céu, da terra e de todos os espíritos.
É correto apenas o que se afirma em