Para falar de racismo, é preciso antes diferenciar o racismo de outras categorias que também aparecem associadas à
ideia de raça: preconceito e discriminação.
Podemos dizer que o racismo é uma forma sistemática de discriminação que tem a raça como fundamento e que se
manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privilégios para
indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertençam.
Embora haja relação entre os conceitos, o racismo difere do preconceito racial e da discriminação racial. O preconceito
racial é o juízo baseado em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a determinado grupo racializado, o que pode
ou não resultar em práticas discriminatórias. Considerar negros violentos e inconfiáveis, judeus avarentos ou orientais
“naturalmente” preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos.
A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente
identificados. Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder — ou seja, a possibilidade efetiva do uso
da força —, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode
ser direta ou indireta. A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição racial,
exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos, pessoas de origem árabe ou
persa, ou ainda lojas que se recusam a atender clientes de determinada raça. Já a discriminação indireta é um processo
em que a situação específica de grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato — ou sobre a qual são impostas
regras de “neutralidade racial” sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas — discriminação
pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é marcada pela ausência de intencionalidade
explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode
prever de forma concreta as consequências da norma.
Silvio Almeida. Racismo Estrutural (Feminismos Plurais). Editora Jandaíra.
Edição do Kindle (com adaptações).
Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item que se segue.
A correção gramatical do último período do último parágrafo seria prejudicada se a forma verbal “leva” fosse substituída
por levam.