Questões de Língua PortuguesaPrefeitura de Niter¾i - RJ 2016

59 questões da prova Diversas 2016, com gabarito oficial conferido. As duas primeiras são gratuitas.

Questão 1Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o

leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). A palavra em destaque que deriva – como “temporalidade” (§ 3) – de um radical secundário é:

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Questão 2Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

As questões numeradas de 12 a 15 têm como base o MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (2ª edição revista e atualizada 2002). A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a fragmentação de frases devem ser evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. Das frases abaixo, está correta apenas:

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Questão 3Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Observe as afirmativas a seguir, em relação aos desvios na Ortografia. I em bora – separação indevida de palavras; cedola (cebola) – generalização; bandeija (bandeja) – substituição. II em bora – separação indevida de palavras; dende (dente) – generalização; bandeija (bandeja) – confusão. III em bora – separação indevida de palavras; dende (dente) – substituição; bandeija (bandeja) – generalização. Sobre as afirmativas acima, pode-se dizer que apenas:

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Questão 4Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Em relação aos Tempos Máximos de Fonação (TMF), é correto afirmar que:

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Questão 5Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A medida do benefício fornecido pela amplificação refletindo em melhorias na qualidade de vida do deficiente auditivo é conhecida como:

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Questão 6Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

MOTA, H. B., no capítulo sob o título de Fonologia: Intervenção, in FERREIRA, L. P., et al. Tratado de Fonoaudiologia (2010), descreve a Terapia com Base em Pares Mínimos. Como exemplo de pares de fonemas que podem ser utilizados neste modelo terapêutico, podem ser citados:

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Questão 7Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Do ponto de vista histológico, as pregas vocais são compostas por cinco camadas. As camadas são:

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Questão 8Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Um paciente, com perda auditiva condutiva de grau leve na orelha direita e perda auditiva condutiva de grau moderado na orelha esquerda, deve apresentar respostas na pesquisa do reflexo acústico contralateral:

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Questão 9Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

No livro Distúrbios Neurológicos Adquiridos ? Fala e Deglutição, a autora menciona erros sequenciais na fala de pacientes, como antecipação, reiteração e metátese, que correspondem à presença do seguinte distúrbio:

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Questão 10Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Os músculos intrínsecos da laringe que são tensores das pregas vocais possuem como função principal:

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Questão 11Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

AMS, 3 anos, sexo feminino. A mãe relatou que a criança parecia não ouvir bem, mostrando-se distraída, sem responder sistematicamente aos chamados. Apresentava atraso na aquisição e desenvolvimento da linguagem oral, sendo encaminhada para avaliação audiológica. Já que a criança não respondia adequadamente na audiometria tonal liminar, foi solicitado o exame de Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE). O resultado do exame indicou ondas I, III e V presentes em resposta ao clique de 80 dBNA com latências aumentadas e intervalos interpicos dentro da normalidade em ambas as orelhas. De acordo com o caso acima, o resultado do exame indica:

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Questão 12Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Com relação aos tipos de frênulos linguais citados por Marchesan, I. Q. et al., Tratado das Especialidades em Fonoaudiologia, considerando que existem diversos tipos de alterações de frênulo de língua, avalie se é verdadeira ( V) ou falsa ( F) cada afirmativa a seguir. I Frênulo curto e frênulo duro. II Frênulo curto e frênulo anteriorizado. III Frênulo curto, frênulo anteriorizado, frênulo curto e anteriorizado. As afirmativas I, II e III são, respectivamente:

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Questão 13Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A interpretação mais correta de como se posiciona a língua de um portador de Mordida Aberta Anterior é:

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Questão 14Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Leia com atenção a frase: “Cada época tem seus profetas que denunciam, anunciam, consolam, e MANTÊM viva a chama da esperança.” (1º parágrafo) Pode-se dizer que, das frases abaixo, aquela em que a palavra em destaque recebe o acento gráfico pela mesma regra que justifica o acento na palavra em destaque acima é:

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Questão 15Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Mas lentamente viu brutalizada as RELAÇÕES sociais”. (1º parágrafo). Das palavras abaixo, a que faz o plural como a palavra em destaque acima é:

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Questão 16Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Esse ESTIGMA afeta principalmente os grandes conglomerados urbanos”. (1º parágrafo) A palavra destacada no trecho acima pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por:

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Questão 17Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Em “pela perda da GENTILEZA nas relações interpessoais e sociais” (1º parágrafo), o sufixo -eza, da palavra em destaque, é sinônimo do sufixo empregado na seguinte palavra:

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Questão 18Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Dos pares abaixo, aquele em que uma das palavras está INCORRETAMENTE grafada é:

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Questão 19Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Em “não DIGA palavras obscenas” (6º parágrafo), o verbo em destaque apresenta modificação no seu radical ao ser conjugado, tal como o verbo:

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Questão 20Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Com relação ao Acidente Vascular Encefálico é correto afirmar que:

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Questão 21Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Em relação à fenda triangular medioposterior, é correto afirmar que:

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Questão 22Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A avaliação do processamento auditivo central deve incluir testes que avaliem diferentes habilidades auditivas. Os testes que avaliam a habilidade auditiva de figura-fundo para sons verbais são:

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Questão 23Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva prevista na Portaria nº 2.073, de 28 de setembro de 2004, deve ser constituída a partir dos seguintes componentes fundamentais e que determinam níveis de ações: atenção básica, média complexidade e alta complexidade. A esses níveis correspondem as seguintes ações, respectivamente:

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Questão 24Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

As técnicas vocais que possuem objetivo de mobilização da mucosa das pregas vocais são:

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Questão 25Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A Portaria MS/GM n° 2.528, de 20 de outubro de 2006, que se refere à Política da Pessoa Idosa dispõe sobre:

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Questão 26Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

A transformação de José da Trino em “Profeta Gentileza”, segundo o texto, teve início após o incêndio de um circo em Niterói. Essa vocação profética teve como consequência o seguinte fato:

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Questão 27Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Ao narrar a história de José da Trino, o “Profeta Gentileza”, o texto remete à reflexão de que:

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Questão 28Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Dentre as alternativas abaixo, a que apresenta concordância verbal em DESACORDO com a norma culta da língua é:

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Questão 29Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Paciente respirador bucal com hipertrofia das tonsilas, no exame clínico orofacial pode-se observar que a língua apresenta-se em posição:

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Questão 30Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Os sons gerados pelas células ciliadas externas, quando evocadas por dois tons puros apresentados simultaneamente são caracterizados pelas emissões otoacústicas:

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Questão 31Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Cinco pares de nervos cranianos realizam a inervação sensória e motora do Sistema Estomatognático. A inervação motora dos músculos masseter, pterigoídeo medial, pterigoídeo lateral, milo-hioídeo, gênio-hioídeo e o ventre anterior do digástrico é efetuada pelo nervo:

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Questão 32Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas. Segurança 1 O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as mais belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados. 2 Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas. 3 Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês. 4 Mas os assaltos continuaram. 5 Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar. 6 Mas os assaltos continuaram. 7 Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta-ensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram

engradadas. 8 Mas os assaltos continuaram. 9 Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno. 10 Mas os assaltos continuaram. 11 Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. 12 E ninguém pode sair. 13 Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. 14 Mas surgiu outro problema. 15 As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade. 16 A guarda tem sido obrigada a agir com energia. (VERÍSSIMO, Luiz Fernando. http://www.passeiweb.com/estudos /livros/comedias_para_se_ler_na_escola) Pode-se depreender da leitura do 11º parágrafo em diante do texto que, após serem tomadas as medidas para impedir a entrada e a saída de pessoas do condomínio, acabando com os assaltos, alguns condôminos se amotinavam e tentavam fugir por se sentirem:

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Questão 33Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa” (13º §) Feitas as alterações na redação do fragmento acima, pode-se afirmar que houve erro no emprego do acento indicativo da crase em:

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Questão 34Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Considerando-se a estruturação de sentido opositivo do texto até o 10º parágrafo, pode-se depreender que está em DESACORDO com o texto a seguinte afirmação:

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Questão 35Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Não tem havido mais assaltos.” (13º §) Das alterações feitas na oração acima transcrita, aquela que está INCORRETA em relação às normas da língua padrão é:

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Questão 36Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Dos fragmentos do texto abaixo, com os verbos expressos na voz passiva, aquele em que NÃO foi feita a alteração para a voz ativa é:

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Questão 37Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado.” (5º §) Abaixo foram feitas alterações na redação do período transcrito acima. Aquela em que a correlação entre os tempos verbais está gramaticalmente INADEQUADA é:

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Questão 38Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.” (1º §) Redigindo-se o fragmento acima em um único período, a redação que mantém o sentido original do texto é:

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Questão 39Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Luiz Fernando Veríssimo é um escritor brasileiro que vem se notabilizando por produzir textos de forte sentido crítico aos costumes da sociedade. A crítica que melhor se adapta ao texto é:

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Questão 40Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também.” (3º §) Das alterações feitas no fragmento transcrito acima, aquela em que se altera o sentido aditivo original é:

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Questão 41Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

“Visitas, só num local predeterminado pela guarda, SOB sua severa vigilância e por curtos períodos.” (11º §) A preposição em destaque acima só NÃO está corretamente empregada em:

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Questão 42Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...) 2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças – as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o

seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) Para persuadir o leitor a concluir como ele, vale-se o autor de todas as estratégias argumentativas a seguir, EXCETO:

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Questão 43Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...) 2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças – as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo

e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) Releia-se a passagem seguinte, constituída de dois períodos. “Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. DAÍ os sincretismos e os processos transculturativos.” (§ 4) É possível, sem alteração fundamental de sentido, reescrevê-la num período único, substituindo-se, com os ajustes necessários, a palavra em destaque pela seguinte expressão:

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Questão 44Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são

por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). Em cada um dos períodos a seguir há uma oração subordinada adverbial: “Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas.” (§ 3) Elas expressam, respectivamente:

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Questão 45Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...) 2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças – as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser

assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) Acerca da oração: “Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881” (§ 2), pode-se afirmar que:

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Questão 46Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...) 2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças

– as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) O sinal de dois-pontos, usado após “mão de obra” (§ 1), anuncia:

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Questão 47Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 3 Banzo Raimundo Correia Visões que n?alma o céu do exílio incuba, Mortais visões! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O Níger... Bramem leões de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba Dos cafres, pelas grotas retumbando, E a estralada das árvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme, Dorme em ninhos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai co?a sombra crescendo o vulto enorme Do baobá... E cresce n?alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio, Civilização Brasileira, 1959, v. III, p. 90-1.) Dentre os recursos formais a seguir, o poeta evita recorrer apenas ao que se lê em:

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Questão 48Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas,

se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista).

Em vários poemas de Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles obtém efeitos muito “sugestivos” extraídos de “relações paronomásicas” (§ 2) – o que se observa, por exemplo, nos seguintes versos:

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Questão 49Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma

das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas

raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). A intertextualidade é condição necessária para que um poema possa ser plenamente apreciado – o que o autor, no segundo parágrafo, deixa bastante evidente ao dizer que:

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Questão 50Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 3 Banzo Raimundo Correia Visões que n?alma o céu do exílio incuba, Mortais visões! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O Níger... Bramem leões de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba

Dos cafres, pelas grotas retumbando, E a estralada das árvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme, Dorme em ninhos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai co?a sombra crescendo o vulto enorme Do baobá... E cresce n?alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio, Civilização Brasileira, 1959, v. III, p. 90-1.) O verso que apresenta a mesma distribuição de ictos ou acentos tônicos de: “essa total explicação da vida”, do poema “A máquina do mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, é:

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Questão 51Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...) 2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças – as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro

africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) A argumentação desenvolvida no texto está orientada no sentido de conduzir o leitor a concluir que:

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Questão 52Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 3 Banzo Raimundo Correia Visões que n?alma o céu do exílio incuba, Mortais visões! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O Níger... Bramem leões de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba Dos cafres, pelas grotas retumbando, E a estralada das árvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme,

Dorme em ninhos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai co?a sombra crescendo o vulto enorme Do baobá... E cresce n?alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio, Civilização Brasileira, 1959, v. III, p. 90-1.) Dentre os verbos seguintes, cujo sentido no poema se acha descrito entre parênteses, aquele que está empregado como transitivo direto é:

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Questão 53Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo

isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). A proposição em que se nota a inexistência de indicador modal – isto é, de marca linguística destinada a sinalizar a modalidade sob a qual o conteúdo proposicional deve ser interpretado – é:

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Questão 54Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 2 1 Para o Brasil o homem da África foi trazido principalmente como mão de obra: a mão de obra capaz de substituir o indígena, pois este não estava afeito ao trabalho sedentário e de rotina da lavoura. (...)

2 Foi particularmente o escravo que influiu na organização econômica e social do Brasil, constituindo a escravidão uma daquelas três forças – as outras duas, a monocultura e o latifúndio – que caracterizam o processo de exploração da nova terra portuguesa; e que fixaram igualmente a paisagem social da vida de família ou coletiva no Brasil. Esta distinção já a fazia Joaquim Nabuco, em 1881, antecipando-se assim aos modernos estudos de interpretação antropológica ou sociológica sobre o negro: “o mau elemento da população não foi a raça negra, mas essa raça reduzida ao cativeiro", escreveu ele em “O Abolicionismo". 3 Essa situação de escravo, portanto, marca como traço fundamental e indispensável de ser assinalada a presença do negro africano no Brasil; a influência não foi do negro em si, mas do escravo e da escravidão, já observou Gilberto Freyre. Como escravo, e por causa da escravidão, o negro africano teve sua vida perturbada; dela afastado bruscamente, misturou-se com outros grupos culturais. Esta circunstância contribuiu para que os 5 valores culturais de que era portador fossem prejudicados em sua completa autenticidade ao se integrar no Brasil. 4 Não puderam os escravos negros manter íntegra sua cultura, nem utilizar preferentemente suas técnicas em relação ao novo meio. Não foi possível aos negros revelarem e aplicarem todo o seu conjunto cultural: ou porque, ao contato com outros grupos negros, receberam ou perderam certos elementos culturais, ou porque, como escravos, tiveram sua cultura deturpada. Daí os sincretismos e os processos transculturativos. 5 Talvez este fato tenha concorrido para fazer com que no novo meio nem sempre fosse o negro um conformado; um joão-bobo que aceitasse pacificamente o que lhe era imposto. Foi, ao contrário, e por vezes através de processos bastante expressivos – e o caso dos Palmares é típico –, um rebelado. (JÚNIOR, M. Diégues. Etnias e culturas no Brasil. 4 ed.: Rio, Paralelo, INL, 1972, p. 85-6.) A substituição do conectivo em destaque altera o sentido fundamental do enunciado em:

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Questão 55Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 3 Banzo Raimundo Correia Visões que n?alma o céu do exílio incuba, Mortais visões! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O Níger... Bramem leões de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba Dos cafres, pelas grotas retumbando, E a estralada das árvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme, Dorme em ninhos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai co?a sombra crescendo o vulto enorme Do baobá... E cresce n?alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio, Civilização Brasileira, 1959, v. III, p. 90-1.) No poema, os dois vocábulos cujos encontros vocálicos constituem exemplos do fenômeno fonético conhecido como sinérese são:

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Questão 56Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Texto 3 Banzo Raimundo Correia Visões que n?alma o céu do exílio incuba, Mortais visões! Fuzila o azul infando... Coleia, basilisco de ouro, ondeando O Níger... Bramem leões de fulva juba... Uivam chacais... Ressoa a fera tuba Dos cafres, pelas grotas retumbando,

E a estralada das árvores, que um bando De paquidermes colossais derruba... Como o guaraz nas rubras penas dorme, Dorme em ninhos de sangue o sol oculto... Fuma o saibro africano incandescente... Vai co?a sombra crescendo o vulto enorme Do baobá... E cresce n?alma o vulto De uma tristeza, imensa, imensamente... (In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio, Civilização Brasileira, 1959, v. III, p. 90-1.) Em relação ao poema, pode-se fazer qualquer das afirmações a seguir, EXCETO:

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Questão 57Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes

de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). A argumentação desenvolvida no texto está orientada no sentido de conduzir o leitor a concluir que:

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Questão 58Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos

poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele

oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). O advérbio em “-mente” que funciona no texto como indicador atitudinal – ou seja, indicador do estado psicológico com que o autor se representa diante daquilo que enuncia – encontra-se em:

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Questão 59Prefeitura de Niter¾i - RJ·Diversas·2016Língua Portuguesa

Após a leitura dos textos, responda às questões que se seguem. Texto 1 1 No Brasil de hoje, talvez no mundo, parece haver um duplo fenômeno de proliferação dos poetas e de diminuição da circulação da poesia (por exemplo, no debate público e no mercado). Uma das possíveis explicações para isso é a resistência que a poesia tem de se tornar um produto mercantil, ou seja, de se tornar objeto da cultura de massas. Ao mesmo tempo, numa sociedade de consumo e laica, parece não haver mais uma função social para o poeta, substituído por outros personagens. A poesia, compreendida como a arte de criar poemas, se tornou anacrônica? 2 Parece-me que a poesia escrita sempre será – pelo menos em tempo previsível – coisa para poucas pessoas. É que ela exige muito do seu leitor. Para ser plenamente apreciado, cada poema deve ser lido lentamente, em voz baixa ou alta, ou ainda “aural", como diz o poeta Jacques Roubaud. Alguns de seus trechos, ou ele inteiro, devem ser relidos, às vezes mais de uma vez. Há muitas coisas a serem descobertas num poema, e tudo nele é sugestivo: os sentidos, as alusões, a sonoridade, o ritmo, as relações paronomásicas, as aliterações, as rimas, os assíndetos, as associações icônicas etc. Todos os componentes de um poema escrito podem (e devem) ser levados

em conta. Muitos deles são inter-relacionados. Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça. E, de preferência, o leitor deve ser familiarizado com os poemas canônicos. (...) O leitor deve convocar e deixar que interajam uns com os outros, até onde não puder mais, todos os recursos de que dispõe: razão, intelecto, experiência, cultura, emoção, sensibilidade, sensualidade, intuição, senso de humor, etc. 3 Sem isso tudo, a leitura do poema não compensa: é uma chatice. Um quadro pode ser olhado en passant; um romance, lido à maneira dinâmica; uma música, ouvida distraidamente; um filme, uma peça de teatro, um ballet, idem. Um poema, não. Nada mais entediante do que a leitura desatenta de um poema. Quanto melhor ele for, mais faculdades nossas, e em mais alto grau, são por ele solicitadas e atualizadas. É por isso que muita gente tem preguiça de ler um poema, e muita gente jamais o faz. Os que o fazem, porém, sabem que é precisamente a exigência do poema – a interação e a atualização das nossas faculdades – que constitui a recompensa (incomparável) que ele oferece ao seu leitor. Mas os bons poemas são raridades. A função do poeta é fazer essas raridades. Felizmente, elas são anacrônicas, porque nos fazem experimentar uma temporalidade inteiramente diferente da temporalidade utilitária em que passamos a maior parte das nossas vidas. (CÍCERO, Antônio. In: antoniocicero. Hogspot.com.br/ 2008_09_01archive.html (adaptado de uma entrevista). Ao se substituir por um nome o verbo da oração adjetiva de: “Tudo isso deve ser comparado a outros poemas que o leitor conheça.” (§ 2), comete-se, no português padrão, ERRO de regência nominal em:

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