O pensamento pedagógico brasileiro começa a ter autonomia apenas com o desenvolvimento das teorias da Escola Nova,
pois, até quase o final do século XIX, nosso pensamento pedagógico reproduzia o pensamento religioso medieval. Neste
caminho “brasileiro” da educação, há um contexto político que o sustenta que podemos explicar dessa forma: a evolução
da estrutura do poder passou por fases que se estenderam desde o predomínio quase absoluto do poder local até a
supremacia do poder central, com hipertrofia do executivo. Nessa evolução, é possível vislumbrar épocas em que um
equilíbrio mais ou menos estável foi detido graças às múltiplas concessões entre o poder local e o poder central – tal como
se deu, por exemplo, com o pacto coronelista da política dos governadores – e momentos em que os conflitos entre uma
esfera e outra se tornaram evidentes – como, por exemplo, aconteceu na época da queda da mineração. Mas, em quase
todo o curso da história brasileira, as bases políticas assentaram-se mais no poder real dos donos da terra, nos interesses
do latifúndio e em uma minoria aristocrática agrária. Dentro desse contexto, a ilustração dada pela escola servia também
para qualificar o representante político do poder local nas esferas mais altas. O monopólio da cultura letrada dada pelas
escolas era garantia de nível mais elevado de atuação, quer relativamente à prática, quer relativamente à esfera
administrativa. Nexte contexto, no decorrer da História da Educação do Brasil, analise as afirmativas a seguir.
I. No Brasil, até o final da década de 1920, as camadas dominantes, com o objetivo de servir e alimentar seus próprios
interesses e valores, conseguiram organizar o ensino de forma fragmentária, tomado o país como um todo, e ideal,
considerado o modelo proposto de educação. Isso se deu mesmo quando essas camadas deixaram de as únicas a
procurar a educação escolar.
II. Em épocas mais recentes, o remanejamento das forças na estrutura do poder ocasionou, também, certas mudanças na
organização do ensino. Essas mudanças, todavia, obedeceram ao jogo dos interesses representados de forma
heterogênea na política. Nos períodos em que o legislativo funcionou, as facções nele presentes utilizaram-se sempre de
mecanismos tradicionais de fortalecimento de posições, quais sejam os da política de alianças. Nesse sentido, interesses
conservadores conseguiram aliar-se contra interesses mais liberais e democráticos, obtendo mais vitórias.
III. Nos períodos em que se evidenciou a hipertrofia do executivo, este ditou as regras da política educacional, segundo o
modelo que se pretendeu adotar, quer na política, quer na economia, quer, enfim, em ambos os setores.
IV. Nesses diferentes períodos, a organização escolar passou a organizar-se não mais de forma fragmentária por causa do
avanço e do fortalecimento do regime centralizador, mas de forma que refletisse as contradições próprias de um sistema
político responsável mais pela metamorfose das formas tradicionais de controle de poder do que pela criação de formas
novas.
Está correto o que se afirma em