Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.
AMEAÇAS AO AGRONEGÓCIO
A indústria agroquímica instalada no Brasil vem sendo objeto de uma ação orquestrada por interesses oportunistas
visando somente o acesso facilitado a esse mercado de forma privilegiada. As ações são desenvolvidas em duas direções:
simplificação do sistema de registro de produtos e abertura de mercado no âmbito do Mercosul.
A justificativa para tais medidas é a de suposta concentração de mercado e, como conseqüência, a ocorrência de prática
abusiva de preços. Ambas já foram analisadas em diferentes documentos que demonstraram o quanto são falaciosos
esses argumentos.
A grande preocupação quanto ao encaminhamento dessas medidas é que elas possivelmente causariam uma
desorganização do setor, com implicações para a agricultura. Este é um risco real, particularmente considerando a
complexidade das ações que envolvem o processo de produção, comercialização, assistência técnica e desenvolvimento
de novos produtos atualmente fornecidos pelas empresas instaladas em nosso país.
Para se compreender a magnitude das conseqüências de um possível ato inconseqüente sobre o setor, é necessário
lembrar que a indústria de defensivos agrícolas é, do ponto de vista técnico, segmento de uma cadeia bem maior – a
química fina – que, por sua vez, pertence ao vasto complexo da indústria química. Na realidade a evolução da indústria de
defensivos caminha em sintonia com a da indústria química em geral e de suas principais empresas. Tanto isso é verdade
que as principais empresas químicas são também fabricantes de defensivos agrícolas. Existem alguns casos de
especialização notória em defensivos, mas são exceções.
O desenvolvimento desse setor industrial encontra-se intimamente relacionado, também, com a importância crescente da
produção agrícola brasileira. Segundo estudo do IPEA, os principais elementos técnicos na determinação da demanda
desses insumos são a definição do produto, as características bioclimáticas e os terrenos. Já a escolha do produto é
influenciada pela especificidade de uso, os coeficientes técnicos básicos, o grau de eficácia esperado e o preço relativo – o
qual, associado ao coeficiente técnico de uso, determina o custo por hectare.
Outro estudo do IPEA explicita que o ganho de competitividade da agricultura observado nas últimas três décadas esteve
fortemente assentado no índice de mudança técnica (progresso tecnológico) e no índice de mudança de eficiência técnica.
No caso específico dos defensivos agrícolas é possível observar o seu ganho de produtividade, uma vez que as doses
utilizadas por hectare caíram sensivelmente nos últimos anos, além da redução do índice de toxicidade (Produção agrícola
no Brasil, FGV, 2005).
Essas análises indicam claramente que o desempenho da agricultura brasileira é fortemente dependente de uma cadeia
de negócios eficiente, organizada e moderna, antes e depois da porteira. Fica evidente que mudanças abruptas na
legislação que rege o sistema de registro e na abertura de mercado irão atender apenas os interesses de poucos, em
detrimento da organização da oferta e com sérias conseqüências para a competitividade do agronegócio.
Como existe um forte clamor contra a demora na aprovação de novos registros, é fundamental a rápida regulamentação do
Decreto 4074/2002, bem como a determinação aos órgãos responsáveis pelas análises dos pleitos de registros que
simplesmente cumpram os prazos estabelecidos em lei.
(GUEDES, L. C. Auvray. In Jornal do Brasil, 01/01/07, p. A22, com adaptações.)
Nos itens abaixo, a oração adjetiva do trecho “a química fina – que, por sua vez, pertence ao vasto complexo da indústria
química” (4º §) foi reescrita de forma a gerar diferentes situações de emprego do pronome relativo. A redação em que se
contraria norma de regência da língua culta é a seguinte;