Questões de Filosofia e ÉticaIF-SP 2014

47 questões da prova Diversas 2014, com gabarito oficial conferido. As duas primeiras são gratuitas.

Questão 1IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Enquanto o saber, da tradição grega clássica à era das luzes e até o fim do século XIX, era efetivamente algo para ser compreendido, pensado, refletido, hoje, nós, indivíduos, vemo-nos, agora, privados do direito à reflexão... Defrontamo-nos desde o século XVI, mas sobretudo no XX, com o desafio da ruptura cultural entre a cultura das humanidades e a cultura científica. Essas duas culturas possuem natureza inteiramente diferente." MORIN, Edgar. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. Trad. Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez, 2002 p. 51 57 A partir desses fragmentos, acompanhando a reflexão de Edgar Morin sobre a distinção e a ruptura que se realizou entre os saberes, o que se verifica é o fato de que

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Questão 2IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“O que é então a liberdade? Nascer é ao mesmo tempo nascer no mundo e nascer do mundo. O mundo está já constituído, mas também não está nunca completamente constituído. Sob o primeiro aspecto, somos solicitados; sob o segundo, somos abertos a uma infinidade de possíveis." MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes. 1999 p. 608-611(Adaptado) A partir desse fragmento sobre o tema da liberdade e do determinismo no pensamento de Merleau-Ponty, é CORRETO afirmar que

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Questão 3IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Os que se dedicaram às ciências foram ou empíricos ou dogmáticos. Os empíricos, à maneira das formigas, acumulam e usam as provisões; os racionalistas, à maneira das aranhas, de si mesmos extraem o que lhes serve para a teia. A abelha representa a posição intermediária: recolhe a matéria-prima das flores do jardim e do campo e com seus próprios recursos a transforma e digere." BACON, Francis. Novum organum, XCV. A partir desse fragmento, para Francis Bacon, o que melhor caracteriza a natureza e os procedimentos da ciência é o fato de ela

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Questão 4IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Os homens não são apenas um resultado da história em sua indumentária e apresentação, em sua figura e seu modo de sentir, mas também a maneira como veem e ouvem é inseparável do processo de vida social tal como este se desenvolveu através dos séculos. Os fatos que os sentidos nos fornecem são pré-formados de modo duplo:

pelo caráter histórico do objeto percebido e pelo caráter histórico do órgão perceptivo. Nem um nem outro são meramente naturais, mas enformados pela atividade humana, sendo que o indivíduo se auto percebe, no momento da percepção, como perceptivo e passivo." HORKHEIMER, Max. “Teoria tradicional e teoria crítica". In. Max Horkheimer e Theodor W. Adorno. Textos escolhidos. Trad. Zeljko Loparié ... [et al.] 5 ed. São Paulo: Nova Cultural, p. 37 (Os pensadores). Com base na leitura desse fragmento, considerando-se os pressupostos antropológicos presentes no texto, é CORRETO afirmar que eles são

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Questão 5IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“A primeira proposição da moralidade diz que, para ter valor moral, uma ação deve estar baseada no dever, declarou Kant. Nem todo mundo concordaria. Pode-se argumentar que outros motivos contam tanto ou mais ___ o amor, por exemplo. Pode-se argumentar também que os motivos importam menos que as consequências, sendo a ação moral julgada não pela boa intenção das pessoas, mas pelo bem que praticam. Formalmente falando, essas alternativas não estão em colisão direta com uma ética do dever, uma vez que poderia haver, por exemplo, um dever de amar o próximo ou de produzir as melhores consequências. Os contrastes, porém, são sempre feitos. O que eu espero da ética é que ela ofereça um modo sistemático de saber, ou pelo menos de ter garantias para crer que um curso de ação está certo ou errado. Tanto o 'Dever' quanto as 'melhores consequências' apresentam suas ofertas e é interessante compará-las. (...) Uma ética que faz apelo à razão tem, portanto, duas tarefas. Uma é fornecer as ferramentas para decidir se racionalmente x, e não y, é a coisa certa a fazer. A outra é demonstrar que, ao fazer x, uma pessoa estará agindo não apenas moralmente como também racionalmente." HOLLIS, Martin. Filosofia. Um convite. Trad. Antivan G. Mendes. São Paulo: Loyola, 1996 p.162-165 A partir desse texto, considerando-se a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades,

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Questão 6IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leia os fragmentos a seguir, retirados do diálogo entre Sócrates e Glauco. SOCRÁTES ___ O método dialético é o único que se eleva, destruindo as hipóteses, até o próprio princípio para estabelecer com solidez as suas conclusões, e que realmente afasta, pouco a pouco, o olhar da alma da lama grosseira em que está mergulhado e o eleva para a região superior, usando como auxiliares para esta conversão as artes que enumeramos. GLAUCO ___ Até onde entendo, concordo contigo. SOCRATES ___ Também chamas dialético àquele que compreende a razão da essência de cada coisa? E aquele que não o pode fazer? Não dirás que possui tanto menos entendimento de uma coisa quanto mais incapaz é de a explicar a si mesmo e aos

demais? PLATÃO. A República. Livro VII. Tradução Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova cultural, 2000 . p.247- 248 Considerando-se o pensamento socrático-platônico, o conceito de dialética

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Questão 7IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

A meu ver, a democracia surge quando os pobres, tendo vencido os ricos, eliminam uns, expulsam outros e dividem por igual com os que ficam o governo e os cargos públicos. E, devo dizer, na maior parte das vezes estes cargos são atribuídos por sorteio. [...] Nesse

Estado não há obrigação de mandar, se não se for capaz de tal, nem de obedecer se não se quiser [...] PLATÃO. A República. Livro VII. Tradução Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova cultural, 2000 p.274 Uma sociedade na qual os que têm direito ao voto são os cidadãos masculinos maiores de idade é mais democrática do que aquela na qual votam apenas os proprietários e é menos democrática do que aquela em que têm direito ao voto também as mulheres. BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 2000 p. 31 Com base na leitura desses fragmentos, considerando-se a caminhada histórica da democracia na cultura ocidental, é CORRETO afirmar que

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Questão 8IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

A doutrina democrática repousa sobre uma concepção individualista de sociedade [...] Isso explica por que a democracia moderna se desenvolveu e hoje exista apenas onde os direitos de liberdade foram constitucionalmente reconhecidos. [...]. Não há dúvida de que a democracia tenha nascido da concepção individualista, atomista, da sociedade. Não há também dúvida de que a democracia representativa nasceu do pressuposto (equivocado) de que os indivíduos, uma vez investidos da função pública de escolher os seus representantes, escolheriam os melhores. BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 2000 p. 23 e 154 Com base nesse fragmento, sobre a natureza e as históricas realizações da democracia, é CORRETO afirmar que 47

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Questão 9IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, citando uma reflexão de Bárbara Freitag, diz: “Kohlberg procurou discutir com os colegas os problemas emergidos no contexto da educação moral. Para explicar as resistências desse contexto com relação à educação moral, pôs em debate o que chamou de [currículo oculto] hidden curriculum e [atmosfera moral] moral atmosphere [...]". ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofia da educação. 2 ed. São Paulo: moderna, 1996 p.125

De acordo com Kohlberg, é CORRETO afirmar que

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Questão 10IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Uma das formas de abordarmos a identidade humana é o tema corpo e mente ou corpo e psiquismo. Contemporaneamente, o clássico tema “corpo e alma" reaparece com todo vigor na filosofia da mente, em profundo diálogo com a neurobiologia e a psicologia cognitiva. Na tradição filosófica, essa temática esteve inscrita na busca pelas essências. Considerando-se as concepções relacionadas à reflexão sobre o tema, é CORRETO afirmar que

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Questão 11IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto; de modo que me era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas ciências. (...). Tudo o que recebi, até presentemente, como mais verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos. Ora, experimentei algumas vezes que esses sentidos eram enganosos, e que de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. DESCARTES. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural. Os pensadores. A partir desse fragmento de Descartes, sobre a concepção e os procedimentos do racionalismo, é CORRETO afirmar que

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Questão 12IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Dentre as diversas tendências antiautoritárias, alguns pedagogos restringem-se a uma

visão baseada na psicologia; enquanto outros, preocupados com aspectos sociais e políticos, estendem suas críticas também à sociedade a que pertencem, havendo, ainda, quem concilie psicanálise e marxismo. Enquanto uns são típicos representantes da pedagogia liberal; outros partem de pressupostos socialistas e, mais que reforçar a escola, assumem a tarefa revolucionária de liberação das classes oprimidas. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3. ed. Revista e Ampliada, São Paulo: Moderna, 2006 p.171 Sobre a emergência e a atuação das teorias antiautoritárias, é CORRETO afirmar que, nessa ótica,

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Questão 13IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“O poder corresponde à habilidade humana de não apenas agir, mas de agir em uníssono, em comum acordo. O poder jamais é propriedade de um indivíduo; pertence ele a um grupo e existe apenas enquanto o grupo se mantiver unido. (...) Governo algum, exclusivamente baseado nos instrumento da violência, existiu jamais. Mesmo o governante totalitário, cujo principal instrumento de dominação é a tortura, precisa de uma base de poder __a polícia secreta e a sua rede de informações (...). Homens isolados sem outros que os apoiem nunca têm poder suficiente para fazer uso da violência de maneira bem-sucedida. (...) Assim, nas questões internas, a violência funciona como o último recurso do poder contra os criminosos ou rebeldes, isto é, contra indivíduos isolados que, pode-se dizer, recusam-se a ser dominados pelo consenso da maioria".

ARENDT, Hannah. Da violência. Col. Pensamentos Políticos. Brasília: Ed. UnB, 1985.p.24 Tendo como referência o fragmento de Hannah Arendt, o que caracteriza o poder é o fato de ele ser

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Questão 14IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“O olhar obtém mais ou menos das coisas segundo a maneira pela qual ele as interroga, pela qual ele desliza ou se apoia nelas. Aprender a ver as coisas é adquirir um certo estilo de visão, um novo uso do corpo próprio, é enriquecer e reorganizar o esquema corporal. Sistema de potências motoras ou de potências perceptivas, nosso corpo não é objeto para um “eu penso": ele é um conjunto de significações vividas que caminha para seu equilibrio." MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2006 p. 212 A partir desse fragmento, considerando-se a fenomenologia da percepção, de MerleauPonty, sobre o processo epistemológico, é CORRETO afirmar que

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Questão 15IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leia o fragmento a seguir. Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência; efetivamente, que outra coisa poderia despertar e pôr em ação a nossa capacidade de conhecer senão os objetos que afetam os sentidos e que, por um lado, originam por si mesmos as representações e, por outro lado, põem em movimento a nossa faculdade intelectual e levam-na a compará-las. Ligá-las ou separá-las, transformando assim a matéria bruta das impressões sensíveis num conhecimento que se denomina experiência? Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todo conhecimento tem o seu início. Se, porém, todo o conhecimento se inicia com a experiência, isso não prova que todo ele derive da experiência. KANT. Critica da razão pura. Trad. Manuela Pinto dos Santos. 3a. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994 p.36-37 A partir desse fragmento e de outras informações sobre a teoria kantiana do conhecimento, é CORRETO afirmar que

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Questão 16IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

"Todo conceito nasce por igualação do não igual. Assim como é certo que nunca uma folha é inteiramente igual a uma outra, é certo que o conceito de folha é formado por arbitrários abandonos dessas diferenças individuais, por um esquecer-se do que é distintivo, e desperta então a representação, como se na natureza além das folhas houvesse algo que fosse "folha", uma espécie de folha primordial, segundo a qual todas as folhas fossem tecidas, desenhadas, recortadas, coloridas, frisadas, pintadas, mas por mãos inábeis, de tal modo que nenhum exemplar tivesse saído correto e fidedigno como cópia fiel da forma primordial (...). O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu o que são, metáforas que se tornaram gastas e sem forma sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como

moedas." Nietzsche. Sobre a verdade e a mentira. Coleção. Os pensadores. São Paulo: Nova cultural, 1991 p. 34-35 Com base nesse fragmento, considerando o tema do conhecimento e da verdade em Nietzsche, é CORRETO afirmar que

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Questão 17IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Entende-se por “preconceito" uma opinião ou um conjunto de opiniões, às vezes até uma doutrina completa, que é acolhida acrítica e passivamente pela tradição, pelo costume, (...) e a aceitamos com tanta força que resiste a qualquer refutação racional (...). Por isso, se diz corretamente que o preconceito pertence à esfera do não racional, ao conjunto das crenças. (...). O juízo discriminante necessita de um juízo de valor: ou seja, necessita que, dos dois grupos diversos, um seja considerado bom e o outro mau (...) um superior e outro inferior (...), sustenta que a primeira forma de agrupamento deve dominar, a segunda deve obedecer (...). Os preconceitos nascem das cabeças dos homens. Por isso, é preciso combatê-los na cabeça dos homens, isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a educação, mediante luta incessante contra toda forma de sectarismo." BOBIO, Norberto. “A natureza do preconceito". In: Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Editora UNESP, 2002 Com base nesse fragmento sobre a natureza do preconceito, é CORRETO afirmar que

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Questão 18IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“É verdade que a sociedade democrática é aquela que não esconde suas divisões, mas procura trabalhá-las pelas instituições e pelas leis. Todavia, no capitalismo, são imensos os obstáculos à democracia, pois o conflito dos interesses é posto pela exploração de uma classe sobre a outra, mesmo que a ideologia afirme que todos são livres e iguais (...) a situação do direito de igualdade e de liberdade é também muito frágil nos dias atuais, porque o modo de produção capitalista passa por uma mudança profunda para resolver a recessão mundial. Essa mudança, conhecida com o nome de neoliberalismo, implicou o abandono da política do Estado do Bem-Estar Social e o retorno à idéia liberal de autocontrole da economia pelo mercado capitalista, afastando, portanto, a interferência do Estado no planejamento econômico". CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: editora Ática, 2003 P.406 A partir desse fragmento, sobre a relação democracia e liberalismo, é CORRETO afirmar que

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Questão 19IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

No final do século XVIII e no princípio do seguinte, o termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade". Com essa definição, Tylor abrangia em uma só palavra todas as possibilidades de realização, além de marcar fortemente o aprendizado da cultura em oposição à ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos. (...). O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e as invenções. Estas não são, pois, o produto da ação isolada de um gênio, mas o resultado

do esforço de toda uma comunidade. (...) LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um conceito antropológico. 24edição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed,2009 P.25.45 A distinção e a relação entre determinismo e liberdade ou natureza e cultura deve-se essencialmente ao fato de

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Questão 20IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Deveis saber, portanto, que existem duas formas de se combater: uma, pelas leis; outra, pela força. A primeira é própria do homem; a segunda, dos animais. Como, porém, muitas vezes, a primeira não é suficiente, é preciso recorrer à segunda. Ao Príncipe torna-se necessário, porém, saber empregar convenientemente o animal e o homem. [...] E uma sem a outra é a origem da instabilidade. Sendo, portanto, um príncipe obrigado a bem servir-se da natureza da besta, deve dela tirar as qualidades da raposa e do leão, pois este não tem defesa alguma contra os laços, e a raposa, contra os lobos. Precisa, pois, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Os que se fazem unicamente de leões não entendem de Estado. Por isso, um príncipe prudente não pode nem deve guardar a palavra dada quando isso se lhe torne prejudicial e quando as causas que o determinaram cessem de existir. Se os homens todos fossem bons, esse preceito seria mau. Mas, dado que são maus, e que não a observariam a teu respeito, também não és obrigado a cumpri-la para com eles. MAQUIAVEL.N. O príncipe. Cap. XVIII. Trad., Lívio Xavier. São Paulo: Folha de são Paulo, 2010 p. 40 Com base no fragmento acima, é CORRETO afirmar que a virtude política, em Maquiavel,

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Questão 21IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana (...). Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens. SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973 p. 11-12 Com base nesse fragmento, a partir do existencialismo de Sartre, sobre o tema da condição humana é CORRETO afirmar que

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Questão 22IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Na tradição filosófica em que predomina a abordagem metafísica herdada dos gregos busca-se a unidade na multiplicidade dos seres, ou seja, a essência que caracteriza cada coisa. [...]. É assim que Kant, no século XVIII, diz que “o fim da educação é desenvolver, em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz". O educador polonês Suchodolski chama de essencialista essa tendência que marca a pedagogia durante longo período da história da educação e ainda hoje coexiste com outras tendências. Os limites dessa abordagem se acham na visão parcial do problema educacional. Excessivamente centrado no interior do indivíduo e nas formas ideais que determinam a

priori o que é o homem e como deve ser a educação. ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofia da educação. 2ed. São Paulo: Moderna, 1996 p.112-113 A concepção de educação está profundamente vinculada à concepção de homem que se pretende educar. Considerando-se as diferentes concepções históricas de homem, que seguiram essa visão transcrita no fragmento acima, é CORRETO afirmar que

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Questão 23IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Não é o sujeito epistemológico que efetua a síntese, é o corpo; quando sai de sua dispersão, se ordena, se dirige por todos os meios para um termo único de seu movimento, e quando, pelo fenômeno da sinergia, uma intenção única se concebe nele." MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto ribeiro de Moura São Paulo: Martins Fontes, 2006 p.312 Em conformidade com essa visão de percepção, assinale a alternativa CORRETA.

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Questão 24IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leia os fragmentos a seguir, extraídos do diálogo entre Sócrates e Mênon: SÓCRATES ___ Vês, Mênon, que não lhe estou a ensinar nada e que me limito a interrogá-lo? Neste momento ele julga saber qual é o comprimento do lado que dá um quadrado de oito pés. Concordas comigo? MÊNON ___ Sim. SÓCRATES ___ Mas sabe-o? MÊNON ___ Certamente que não, [...] SÓCRATES ___ Vês, Mênon, a distância que ele já percorreu no percurso da reminiscência? A princípio, não sabendo o lado do quadrado de oito pés, que aliás ainda não sabe, julgava sabê-lo e respondia com segurança, como se soubesse, sem qualquer sentido da dificuldade. Agora tem consciência do seu embaraço e, embora não saiba, pelo menos não julga que sabe. PLATÃO. Mênon. [84] Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio / São Paulo: Edições Loyola, 2001 .Tradução de Maura Iglesias. [Mênon, 84]. Com base nesses fragmentos e em outras informações, o método socrático é essencialmente caracterizado por

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Questão 25IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leias os fragmentos a seguir. O ingresso da massa na atividade política, causa originária e característica da democracia, é um pressuposto histórico necessário para se colocarem conscientemente os problemas eternos que com tanta profundidade o pensamento grego se colocou naquela fase da sua evolução e legou à posteridade. W. Jaeger, Paidéia. São Paulo: Martins fontes, 2001 p. 337 “O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são". (Protágoras) A partir desses fragmentos, a presença dos sofistas na emergente democracia grega significou

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Questão 26IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leia o fragmento a seguir: Uma ciência não é meramente um “corpo de fatos". Será, no mínimo, uma coleção, e como tal depende dos interesses do colecionador, de um ponto de vista. Em ciência, esse ponto de vista é determinado por uma teoria científica; isto é, escolhemos dentre a infinita variedade de fatos e dentre a infinita variedade de aspectos dos fatos aqueles fatos e aspectos que são interessantes porque ligados a alguma teoria científica mais ou menos preconcebida. O método da ciência reside na procura de fatos que possam refutar a teoria. Karl POPPER. A sociedade aberta e seus inimigos. Tomo 2. 3ª edição. São Paulo: Itatiaia, 1998 p.267-268 Com base nesse fragmento e em outras informações sobre a concepção de Karl Popper sobre a atividade científica, é CORRETO afirmar que ela é o saber que

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Questão 27IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

O povo, por si, quer sempre o bem, mas por si nem sempre o encontra. A vontade geral é sempre certa, mas o julgamento que a orienta nem sempre é esclarecido. (...) Os particulares discernem o bem que rejeitam; o público quer o bem que não discerne. Todos necessitam, igualmente, de guias. A uns é preciso obrigar a conformar a vontade à razão, a outro, ensinar a conhecer o que quer. Então, das luzes públicas resulta a união do entendimento e da vontade no corpo social, daí o perfeito concurso das partes e, enfim, a maior força do todo. Eis donde nasce a necessidade de um Legislador.(...) Aquele que ousa empreender a instituição de um povo deve sentir-se com capacidade para, por assim dizer, mudar a natureza humana, transformar cada ser individual, que por si mesmo é um todo perfeito e solitário, em parte de um todo maior, do qual de certo modo esse indivíduo recebe sua vida e seu ser; alterar a constituição do homem para fortificá-la, substituir a existência física e independente, que todos nós recebemos da natureza, por uma existência parcial e moral. ROUSSEAU, J. Jacques, Do contrato social. Livro segundo. Trad. Lourdes Santos Machado. 5ª ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991 p.56-57 A partir desse fragmento, a ideia de governo da natureza humana expressa que

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Questão 28IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

A consciência não pode nunca ser outra coisa, senão o ser consciente e o ser dos homens é seu processo de vida real. E se, em toda ideologia, os homens e suas relações nos parecem postos de cabeça para baixo como numa câmera escura, esse fenômeno decorre de seu processo de vida histórica, absolutamente como a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente física. MARX, ideologia alemã. In: VV. AA. Os filósofos através dos textos. De Platão a Sartre. Tradução de Constança Terezinha M. César. São Paulo: Paulus, 1997 P.253-254 A partir desse fragmento e considerando o pensamento filosófico, econômico e político de Karl Marx, assinale a alternativa que apresenta a concepção de ideologia expressa por Marx.

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Questão 29IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Quando todo o povo estatui algo para todo povo, só considera a si mesmo (...). Então, a matéria sobre a qual se estatui é geral como a vontade que a estatui. A esse ato dou o nome de lei. Quando digo que o objeto das leis é sempre geral, por isso entendo que a Lei considera os súditos como corpo e as ações como abstratas, e jamais um homem como um indivíduo ou uma ação particular. Desse modo, a Lei poderá muito bem estatuir que haverá privilégios, mas ela não poderá concedê-los nominalmente a ninguém. Qualquer função relativa a um objeto individual não pertence, de modo algum, ao poder legislativo. Baseando-se nessa ideia, vê-se logo que não se deve mais perguntar a quem cabe fazer as leis, pois são atos da vontade geral, nem se o príncipe está acima das leis, visto que é membro do Estado; ou se a lei pode ser injusta, pois ninguém é injusto consigo mesmo, ou como se pode ser livre e estar sujeito às leis, desde que estas não passam de registros de nossas vontades." ROUSSEAU, J. Jacques, Do contrato social. Livro segundo. Trad. Lourdes S.Machado. 5 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991 p.54-55 A partir desse fragmento, considerando-se o pensamento de Rousseau, a temática da lei e da liberdade expressa que

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Questão 30IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Cada príncipe deve desejar ser tido como piedoso e não como cruel: apesar disso, deve cuidar de empregar convenientemente essa piedade. César Borgia era considerado cruel; contudo, sua crueldade havia reerguido a Romanha e conseguido uni-la e conduzi-la à paz e à fidelidade. O que, bem considerado, mostrará que ele foi muito mais piedoso do que o povo florentino, o qual, para evitar a pecha de cruel, deixou que Pistoia fosse destruída. Não deve, portanto, importar ao Príncipe a qualificação de cruel para manter seus súditos unidos e leais, porque, com raras exceções, é ele mais piedoso do que aqueles que por muita clemência deixam acontecer desordens, das quais podem nascer assassínios ou rapinagem. MAQUIAVEL.N. O príncipe. Cap. XVII. Trad. Livio Xavier. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010 p. 38 A partir do fragmento acima, sobre o poder e a ação do príncipe Maquiavel é CORRETO afirmar que

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Questão 31IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“A partir da década de 1960 surgem propostas de inspiração tecnicista, baseadas na convicção de que a escola só se tornaria eficaz, se adotasse o modelo empresarial [...]. A tendência tecnicista aplicada à educação surge nos EUA. Em seguida, seus teóricos e técnicos passam a influenciar os países latino-americanos em via de desenvolvimento." ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3 ed. Revista e Ampliada, São Paulo: Moderna, 2006 p.171 (Adaptado) Entre os objetivos da escola estruturada a partir do modelo empresarial, destaca-se a preocupação em

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Questão 32IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“A percepção sinestésica é a regra, e, se não percebemos isso, é porque o saber científico desloca a experiência e porque desaprendemos a ver, a ouvir e, em geral, a sentir, para deduzir de nossa organização corporal e do mundo tal como concebe o físico aquilo que devemos ver, ouvir e sentir." MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p.308 Merleau-Ponty traz uma concepção de percepção como

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Questão 33IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Leia os fragmentos a seguir, extraídos de um diálogo entre Sócrates e Glauco. SÓCRATES ___ Agora imagina a maneira como segue o estado de nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça. [...]. A educação não é o que alguns proclamam que é, porquanto pretendem introduzi-la na alma onde ela não está, como quem tentasse dar vista a olhos cegos. [...]. A educação é, pois, a arte que se propõe esse objetivo, a conversão da alma, e que procura os meios mais eficazes de conseguir. Não consiste em dar visão ao órgão da alma, visto que já a tem; mas, como ele está mal orientado e não olha para onde deveria, ela esforça-se por encaminhá-lo na boa direção. PLATÃO. A República. Livro VII. Tradução Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova cultural, 2000 p.225 229 A partir desses fragmentos do diálogo, sobre os sentidos atribuídos por Platão à alegoria da caverna, é CORRETO afirmar que

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Questão 34IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

A primeira e a mais importante conseqüência decorrente dos princípios até aqui estabelecidos é que só a vontade geral pode dirigir as forças do Estado de acordo com a finalidade de sua instituição, que é o bem comum, porque, se a oposição dos interesses particulares tornou necessário o estabelecimento das sociedades, foi o acordo desses mesmos interesses que o possibilitou. O que existe de comum nesses vários interesses forma o liame social e, se não houvesse um ponto em que todos os interesses concordassem, nenhuma sociedade poderia existir. Ora, somente com base nesse interesse comum é que a sociedade pode ser governada. Afirmo, pois, que a soberania, não sendo senão o exercício da vontade geral, jamais pode alienar-se e que o soberano, que nada é, senão um ser coletivo, só pode ser representado por si mesmo. O poder pode transmitir-se; não porém, a vontade. (...). A soberania é indivisível pela mesma razão que é inalienável, pois a vontade ou é geral, ou não o é, ou é a do corpo do povo, ou somente de uma parte. (...) Há comumente muita diferença entre a vontade de todos e a vontade geral. Esta se prende somente ao interesse comum; a outra, ao interesse privado e não passa da soma das vontades particulares. ROUSSEAU, J. Jacques, Do contrato social. Livro segundo. Trad. Lourdes Santos Machado. 5 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991 P. 43-47 A partir desse fragmento, em conformidade com Rousseau, o que caracteriza a noção de soberania é a idéia de que

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Questão 35IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Para Nietzsche a filosofia jamais poderia ser uma ciência. A bem dizer, ele compartilha essa convicção com a maioria dos filósofos que sabem muito bem, quando falam de theoría, que esta última não tem nenhuma pretensão científica propriamente dita. As grandes teses filosóficas não são nem verificáveis nem falsificáveis experimentalmente. (...). Alguns “cientistas" __ que não refletem um palmo adiante do nariz __ concluem às vezes, que a filosofia é um discurso vazio. É porque não entenderam nada de seu estatuto. (...) A primeira conclusão de Heidegger (...) é de que a filosofia, diferentemente das ciências, não versa sobre nenhum objeto particular (...) sobre nenhum “ente" em particular. (...). Por isso, segundo Heidegger, a filosofia é antes de mais nada (...) uma ontologia, uma teoria do ser, não uma teoria desta ou daquela classe de objetos ou de entes particulares. Mais precisamente, a theoría filosófica interroga-se sobre características comuns a todos os “entes" ... FERRY, Luc. Vencer os medos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008 P.195-201 (Adaptado) A partir da leitura do texto, é CORRETO afirmar que

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Questão 36IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Procurei o que era a maldade e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema __ de vós, ó Deus __ e tendendo para as coisas baixas: vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumescência.[...]. O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio, porque o peso não tende só para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim, o fogo encaminha-se para cima e a pedra para baixo. Movem-se segundo seu peso. Dirigem-se para o lugar que lhes compete. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite submerge-se debaixo deste: movem-se segundo seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam. O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele quem me leva." AGOSTINHO, As confissões. Livro VII,16 e VIII, 9 Trad. J. Oliveira Santos e Ambrósio Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1996 Em conformidade com o pensamento patrístico de Agostinho, presente nos fragmentos acima, sua concepção de mal afirma que

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Questão 37IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Quando lemos os romances de Balzac, Dickens, Dostoiévsky, Tolstói, Proust, aprendemos, compreendemos e percebemos o que as ciências não chegam a dizer porque ignoram os sujeitos humanos... A exclusão do sujeito efetuou-se com base na concordância de que as experimentações e observações realizadas por diversos observadores permitiriam atingir um conhecimento objetivo. Mas, desse modo, ignorou-se que as teorias científicas não são puro e simples reflexo das realidades objetivas, mas coprodutos das estruturas do espírito humano e das condições socioculturais do

conhecimento." MORIN, Edgar. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. Trad. Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez, 2002 p. 34 53 A partir desse fragmento sobre os pressupostos que animavam essa referida concepção de ciência criticada por Morin, é CORRETO afirmar que eles

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Questão 38IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Depois do desmoronamento da bela ordem cósmica e de sua substituição por uma natureza completamente desprovida de sentido e conflituosa, não há mais nada de divino no universo ao qual o espírito humano possa se dedicar a ver, contemplar. A ordem, a harmonia, a beleza e a bondade não são mais dadas de imediato, não se inscrevem mais a priori no seio do próprio real... Daí a nova tarefa da ciência moderna não residir mais na contemplação passiva de uma beleza dada, já inscrita no mundo, mas no trabalho, na elaboração ativa, ou na construção de leis que permitem dar a um universo desencantado um sentido que, a princípio, ele não mais tem. Portanto, ela não é mais um espetáculo passivo, mas uma atividade do espírito." FERRY, Luc. Aprender a viver. Trad. Vera Lúcia dos Reis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007 P. 121-122 Sobre a concepção de ciência, é CORRETO afirmar que

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Questão 39IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Não menos que saber, duvidar me agrada." afirma Dante. [...] A verdade e a razão são comuns a todos e não pertencem mais a quem as diz primeiro do que ao que as diz depois. Não é mais segundo Platão, do que segundo eu mesmo, que tal coisa se enuncia, desde que a compreendamos. [...] O proveito de nosso estudo está em nos tornarmos melhores e mais avisados. É a inteligência que vê e ouve; é a inteligência que tudo aproveita, tudo dispõe, age, domina e reina. Tudo o mais é cego, surdo e sem alma. Certamente tornaremos a criança servil e tímida se não lhe dermos a oportunidade de fazer algo por si. [...] saber de cor não é saber: é conservar o que se entregou à memória para guardar. Do que sabemos efetivamente, dispomos sem olhar para o modelo, sem voltar os olhos para o livro. MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. Livro I. Cap. XXVI. Trad de. Sérgio Milliet. São Paulo: Nova cultural, 1991 P. 75-83 Com base nesse fragmento, em sua relação com a educação, a filosofia deve ser compreendida como

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Questão 40IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Em A disseminação (1972), Derrida ilustra a desconstrução com um exemplo tomado da história da filosofia. No Fedro, Platão narra o mito de Tot __ o deus que inventou a escrita __ e Tamuz __ o rei egípcio a quem ele ofereceu a criação. Tamuz recusa o presente, julgando que seus perigos suplantam seus benefícios para a humanidade. FEARN, Nicholas. Aprendendo a filosofar em 25 lições. Do poço de Tales à desconstrução de Derrida. Trad. Maria Luiza S. de A. Borges. Rio de janeiro: Editora Zahar, 2004 p.175 A partir dessa referência e com base nos estudos realizados, para Derrida é CORRETO afirmar que

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Questão 41IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Embora tenhamos de reconhecer os aspectos inovadores da contribuição de Dewey, sobretudo quanto à oposição à escola tradicional [...], prejuízos resultaram da assimilação inadequada das novas ideias e da tentativa de sua implantação sem critérios." ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3. ed. Revista e Ampliada, São Paulo: Moderna, 2006 p.171 Nessa reflexão sobre os resultados da escola nova, a autora, em sua obra destaca o fato de que

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Questão 42IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Desde A Estrutura das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn, o desenvolvimento da ciência não se efetua por acumulação dos conhecimentos, mas por transformação dos princípios que os organizam. MORIN, Edgar. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios. Trad. Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez, 2002 p. 52 “Considero “paradigmas" as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência". (...). As revoluções científicas são os complementos desintegradores da tradição à qual a atividade da ciência normal está ligada. (...) Thomas KUHN. Estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Editora Perspectiva. 2 ed. 1978 p.15-30 As grandes realizações das ciências encontram-se sempre circunscritas por um paradigma, seja ele já consolidado ou emergente. Sobre essa afirmação é CORRETO afirmar que

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Questão 43IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Os fins são vários e nós escolhemos alguns dentre eles [...] segue-se que nem todos os fins são absolutos; mas o sumo bem é claramente algo de absoluto. Portanto, só existe um fim absoluto [...]. Ora, nós chamamos de absoluto aquilo que merece ser buscado por si mesmo, e não com vistas em outra coisa; por isso chamamos de absoluto incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa. Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. [...]. Para o homem, a vida conforme a razão é a melhor e a mais aprazível, pois que a razão, mais que qualquer outra coisa, é o homem. Donde se conclui que essa vida é também a mais feliz." ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro I. “Estranho seria fazer do homem sumamente feliz um solitário, pois ninguém escolheria a

posse do mundo sob a condição de viver só, já que o homem é um ser político e está em sua natureza o viver em sociedade." ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. Livro V. 2 Com base nesses fragmentos e em outras informações sobre o pensamento aristotélico, o conceito da felicidade se traduz como fim último da vida,

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Questão 44IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

À primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que não apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas também nem sempre é reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. (...). Entretanto, embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos, através de um exame mais minucioso, que ele está realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência. (...) HUME, David. Investigação acerca do entendimento humano. Seção II. Da origem das ideias. Trad. Anoar Aiex. 5 edição. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1992, p.70 Na disputa com Renê Descartes, sobre a possibilidade de ideia inata e universal, é CORRETO afirmar que David Hume considera que

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Questão 45IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

“Os que se dedicam à critica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar sob uma mesma luz todos os atos dos homens, pois estes se contradizem comumente e a tal ponto que não parecem provir de um mesmo indivíduo. (...). Nossa maneira habitual de fazer está em seguir os nossos impulsos instintivos para a direita ou para a esquerda, para cima ou para baixo, segundo as circunstâncias. Só pensamos no que queremos no próprio instante em que o queremos, e mudamos de vontade como muda de cor o camaleão". MONTAIGNE, M. Ensaios. Livro II. Cap. I. Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Nova cultural, 1991. P.157. Em conformidade com o fragmento acima, sobre as condições do agir humano, é CORRETO afirmar que 32

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Questão 46IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Visto que na alma se encontram três espécies de coisas ___ paixões, faculdades e disposições de caráter ___ a virtude deve pertencer a uma destas. (...) A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática (...). Pois, tornamo-nos justos praticando atos justos, moderados praticando ações moderadas, e corajosos praticando ações corajosas. [...] Ora, julga-se que é cunho característico de um homem dotado de sabedoria prática o poder deliberar bem sobre o que é bom e conveniente para ele, não sob um aspecto particular, como por exemplo sobre as espécies de coisas que contribuem para a saúde e o vigor, mas sobre aquelas que contribuem para a vida boa em geral. Aristóteles, Ética a Nicômaco. Livro II e VI. São Paulo: Nova cultural, 1991, p.31 . 33 104 Com base nesse trecho e em outras informações sobre o pensamento aristotélico, é

CORRETO afirmar que a virtude

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Questão 47IF-SP·Diversas·2014Filosofia e Ética

Uma das diferenças do trabalho de Nicolau Maquiavel em relação aos conhecimentos pré–científicos anterior ao Renascimento é que ele

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