A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi
desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar. Neste mundo do fim do século, o futebol
profissional condena o que é inútil, o que não é rentável, ninguém ganha nada com esta loucura que faz com que o homem
seja menino por um momento, jogando como menino que brinca com o balão de gás e como o gato que brinca com o
novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber
que joga, sem motivo, sem relógio e sem juiz. O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos
espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é
organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol
de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.
GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM, 1995
As transformações que marcam a trajetória histórica do futebol, especialmente aquelas identificadas no texto, se
caracterizam pelo(a)