Questões de História (ENADE)ENADE 2011

31 questões da prova Diversas 2011, com gabarito oficial conferido. As duas primeiras são gratuitas.

Questão 1ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Nas primeiras décadas do século XIX, a região sob a qual a Espanha mantivera um longo domínio colonial, especialmente nas áreas que hoje correspondem à Venezuela, Colômbia, Equador, Panamá e Peru, passou por conturbações que tiveram como um de seus protagonistas Simón Bolívar (1783-1830). O fragmento abaixo, retirado de uma carta escrita por Bolívar no ano de 1830, em Bogotá, exprime o modo como, naquele momento, ele avaliava sua participação nos eventos que se desenrolavam em torno dele. Tenho sacrificado minha saúde e fortuna para assegurar a liberdade e a felicidade de minha pátria. Tenho feito por ela tudo o que pude, mas não tenho conseguido contentá-la e fazê-la feliz. Tudo abandonei à sabedoria do congresso, confiando que ele efetuaria o que não pôde um indivíduo conseguir. [...] Minhas melhores intenções têm-se convertido nos mais perversos motivos, e nos Estados Unidos onde eu esperava que me fizessem justiça, tenho sido também caluniado. O que eu fiz para merecer este tratamento? Rico desde o meu nascimento e cheio de comodidades, hoje em dia não possuo mais do que a saúde alquebrada. Podiam meus inimigos desejarem mais? Mas fazer-me tão destituído é obra da minha vontade. Todos os recursos e exércitos vitoriosos da Colômbia estiveram à minha disposição individual, e minha satisfação interior é por não ter lhes causado menor dano, [esse] é meu maior consolo. FREDRIGO, F. S. Guerras e escritas: a correspondência de Simón Bolívar (1799-1830). São Paulo: UNESP, 2010, p. 229- 230. Associando os sentimentos expostos por Bolívar nessa correspondência e os processos que ele vivia naquele momento, conclui-se que ele estava se referindo

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Questão 2ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

As citações abaixo evidenciam algumas das posturas pedagógicas de Paulo Freire. Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Considere que um professor de história deseja trabalhar um tema na perspectiva da problematização de temas geradores pensados por Paulo Freire. Assinale a opção que contempla procedimentos adequados ao alcance desse objetivo.

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Questão 3ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Ao preparar uma aula para o 1.º ano do ensino médio, um professor de história tinha que explicar aos alunos como as tribos germânicas, a partir do século V, ocuparam extensos territórios na Europa Ocidental, anteriormente sob o domínio do Império Romano. Entre as experiências históricas desse período, o professor privilegiou a constituição das sortes góticas, grande parte delas instituídas por intemédio do sistema de hospitalistas. Para a sua aula, o professor selecionou os seguintes três documentos históricos, com o objetivo de analisar e explicar a constituição das sortes góticas ou sistemas de hospitalistas. Após apresentar esses documentos históricos, o professor desenvolveu argumentos com o objetivo de explicar o sistema de hospitalistas. Nesse sentido, avalie os possíveis argumentos a seguir. 1.A concessão de terras às tribos germânicas incluía ainda as construções ali contidas e ficaram conhecidas como as sortes góticas, correspondendo, às vezes, a dois terços das propriedades dos antigos proprietários romanos. 2.Originalmente, o sistema de hospitalistas, na Roma Antiga, era uma moradia rural, dotada de um conjunto de edificações situadas em uma grande propriedade voltada à exploração agrária, que pertencia a um senhor de grandes posses. 3.No sistema de hospitalistas, com origem no antigo costume romano da hospitalidade, os grandes proprietários rurais cediam parte de suas terras aos chefes tribais germânicos, incluindo os escravos ou colonos ali estabelecidos. 4.No plano socioeconômico, o sistema de hospitalistas ou as sortes góticas promoveram grandes modificações, como a fragmentação da propriedade rural e a eliminação do que ainda havia de escravismo e do colonato então vigente. 5.As partilhas das terras das vilas romanas não provocaram maiores atritos, mas reforçaram o poder dos grandes latifundiários e levaram à consolidação das relações de reciprocidade e fidelidade com os chefes tribais germânicos. Assinale a alternativa que identifica as explicações para a exposição do professor sobre o processo de constituição das sortes góticas ou hospitalistas.

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Questão 4ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A historiadora Ângela de Castro Gomes sustenta que a escrita da História Pátria, no período que decorre do fim do século XIX aos anos 1940, foi fundamental para a construção e a consolidação de uma cultura política republicana no Brasil. GOMES, A. C. A República, a História e o IHGB. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009. Sobre o lugar ocupado pela escrita da História, no período referenciado no texto, e seu ensino na construção e consolidação dessa cultura política republicana no Brasil, analise as afirmações abaixo 1.A escrita da História nesse período esteve empenhada em produzir um passado comum à nação, e, assim, uma identidade coletiva capaz de legitimar e fortalecer o novo projeto político que se instaurava. Esses investimentos demandaram a mobilização de dimensões simbólicas e práticas carregadas de valores cívico-morais. 2.A escrita da História nesse período recebeu investimentos políticos (privados e públicos) que também se voltaram, de modo importante, ao ensino de Historia. O concurso promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sobre como a história do Brasil deveria ser escrita constitui exemplo desses investimentos políticos. 3.A escrita da História nesse período vinculouse à pedagogia da nacionalidade: um passado histórico e inventado precisava ser ensinado por meio de uma narrativa acessível capaz de atingir um grande público. Por essa razão, o ensino de História ocupava lugar estratégico no projeto republicano. O livro didático adotado no Colégio D. Pedro II, no século XIX, Lições de História do Brasil, escrito em 1861 por Joaquim Manuel de Macedo, constitui exemplo dessa pedagogia. 4.A escrita da História, principalmente aquela construída para fins de sua didatização, nesse período, continha elementos ufanistas em relação ao Brasil, seu povo e riquezas, bases fundamentais do patriotismo que se pretendia inculcar nos estudantes. O livro Porque me ufano do meu país, escrito em 1900 por Affonso Celso, que se tornou leitura obrigatória nas escolas secundárias brasileiras nas primeiras décadas do século XX, constitui exemplo dessa escrita. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 5ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A sociedade do que hoje denominamos era moderna caracteriza-se, acima de tudo no Ocidente, por certo nível de monopolização. O livre emprego de armas militares é vedado ao indivíduo e reservado a uma autoridade central, qualquer que seja seu tipo, e de igual modo a tributação da propriedade ou renda de pessoas concentra-se nas suas mãos. Os meios financeiros arrecadados pela autoridade sustentam-lhe o monopólio da força militar, o que, por seu lado, mantém o monopólio da tributação.[...] É preciso haver uma divisão social muito avançada de funções antes que possa surgir uma máquina duradoura, especializada, para administração do monopólio. É só depois que surge esse complexo aparelho é que o controle sobre o exército e a tributação assumem seu pleno caráter monopolista. Só nessa ocasião está firmemente estabelecido o controle militar e fiscal. A partir desse momento, os conflitos sociais não dizem mais respeito à eliminação do governo monopolista, mas apenas à questão de quem deve controlá-lo, em que meio seus quadros devem ser recrutados e como devem ser distribuídos os ônus e benefícios do monopólio. Apenas quando surge esse monopólio permanente da autoridade central, é que esses domínios assumem o caráter de Estados. ELIAS, N. O processo civilizador. Formação do Estado e Civilização, v. 2. Tradução Ruy Junomann. Rio de Janeiro: Zahar, 1993. p. 97-8. Considerando a dinâmica do processo de formação e consolidação dos Estados Nacionais Modernos, exposta por Norbert Elias no texto acima, conclui-se que

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Questão 6ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A conversa de um homem consigo mesmo. De um homem desdobrado em dois: ele e o seu diário. De um homem analítico e, ao mesmo tempo, com uns instantes tão anti-analíticos de devaneio poético que o diálogo parece adquirir, por vezes, aspectos quase líricos. Há nas notas um misto de lirismo anárquico e de tentativa de organização: a de um adolescente e depois de um jovem na sua primeira mocidade a buscar dar alguma ordem aos começos do seu pensar, do seu sentir, do seu viver, do seu existir. FREYRE, G. Citado por REZENDE, A. P. As travessias de um diário e as expectativas da volta. In: GOMES, A. C. (Org.). Escrita de si. Escrita da História. Rio de Janeiro: FGV, 2004. p. 77. A reflexão de Gilberto Freyre reproduzida acima diz respeito a um gênero que vem sendo denominado pela historiografia como escrita autorreferencial ou ?escrita de si?. Acerca das possibilidades de pesquisas abertas ao historiador, avalie as asserções abaixo. O gênero denominado ?escrita em si? tem-se tornado fenômeno editorial e sua documentação engloba cartas, diários, correspondências, biografias e autobiografias e, embora a ?escrita de si? seja praticada desde o século XIX, ela adquiriu tratamento acadêmico ao se tornar objeto de pesquisa histórica. PORQUE A constituição de centros de pesquisas e documentação, a partir de arquivos privados e pessoais, tanto de homens públicos quanto de populares, causou mudanças nas metodologias arquivísticas no que se refere a abrigo, catalogação e manuseio do documento, bem como no seu uso como fonte histórica. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta

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Questão 7ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Com o auxílio da demografia, climatologia e agronomia, desenhou-se outro cenário para a Europa Ocidental do ano mil. A partir desse enunciado, avalie as possíveis alterações na Europa Ocidental nesse período, listadas nas afirmações seguintes.

1.Os dados demográficos são suficientes para indicar uma tendência clara em três séculos, entre 1050 e 1250: a população da Europa Ocidental dobra, ou mesmo triplica, em certas regiões. O resultado foi obtido em razão da conjunção de alta da fecundidade e de regressão das causas de mortalidade. 2.Com a generalização da prática das três etapas sucessivas do cultivo ? capinar, revolver os torrões e arar ? e a passagem do arado romano para a charrua, foi possível explorar os solos pesados das planícies da Europa do Norte, com cultivos mais profundos e mais eficazes. 3.O crescimento demográfico, entre 1050 e 1250, só não foi superior ante a estagnação das taxas de fecundidade,giravam em torno de gestação três filhos por casal, devido à diminuição do recurso às amas de leite, que aumentava a interrupção da fecundidade durante o aleitamento, e à existência de grandes períodos de fome. 4.Com a elevação da temperatura, entre os anos 900 e 950, ocorreu retração na altitude da vegetação, o que acarretou deslocamento do pastoreio de montanha para a planície. Ao mesmo tempo, isso permitiu que o cultivo de cereais na Europa do Norte fosse substituído pelo de leguminosos. 5.Após o período carolíngio, teve início, entre 900 e 950, um aquecimento que se prolongou até o fim do século XIII. A elevação da temperatura foi suficiente para promover o recuo das geleiras e a elevação dos níveis de água subterrânea, o que favoreceu a instalação de poços de água nas aldeias. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 8ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Entre 3100 e 2500 a. C., a Baixa Mesopotâmia conheceu um processo histórico que pode ser classificado, primeiramente, como uma revolução urbana e, posteriormente, o de consolidação e disseminação das cidades- Estados emergentes. Analisando esse período, Ciro Flamarion Cardoso fez as seguintes observações e relacionou as dificuldades quanto aos seus estudos e investigações históricas: A Baixa Mesopotâmia aparece plenamente urbanizada no período de Jemdet Nasr (3100-2900 a. C.) ? época, segundo a Lista Real Suméria (documento redigido em época bem posterior), em que ?a realeza desceu do céu?, pela primeira vez, antes do dilúvio. Mas esta fase, como aliás todo o período anterior a 2700 a. C., ou mesmo 2500 a. C, é muito mal conhecida. Os raros textos descobertos são apenas parcialmente legíveis e não muito informativos acerca das realidades políticas. A arqueologia é a base quase única de nosso conhecimento direto da primeira época urbana, e é difícil extrair dela certezas no tocante ao poder e às instituições. Parece razoável a ideia, transmitida pela lista real já mencionada, de que cinco cidades dominaram sucessivamente a cena política regional ?antes do dilúvio?: Eridu, Badtibira, Sippar, Larak e Shuruppak. CARDOSO, C. F. Sete olhares sobre a antiguidade. Brasília: EdUnB, 1994, p.63. A seguir, é transcrito um trecho da Lista Real Suméria e são apresentas ilustrações de uma das cidades-Estados à época (Nippur). A primeira destas cidades, Eridu; ele deu a Nudimmud, [i.e., Enki], o líder; A segunda, Badtibira, ele deu a Latarak; A terceira, Larak, ele deu a Endurbilhursag, A quinta, Sippar, ele deu ao herói Utu, A quinta, Shuruppak, ele deu a Sud [i.e. Ninlil, esposa de Enlil].

A partir dos indícios e reflexões acima, avalie se as afirmações a seguir correspondem às características das cidades- Estados da Baixa Mesopotâmia. 1.Na parte urbana das cidades-Estados da Baixa Mesopotâmia, existiam o setor da cidade propriamente dita, cercada de muralhas, e outro, que era uma espécie de subúrbio, a cidade externa. 2.Integravam, também, a parte urbana das cidades-Estados da Baixa Mesopotâmia: o porto (fluvial), o centro da atividade comercial e a residência de mercadores estrangeiros. 3.Em cada cidade-Estado da Baixa Mesopotâmia, havia uma tripartição do poder (assembleia ou conselhos, com a existência de um ou mais), com magistrados escolhidos entre os homens elegíveis. 4.Nas cidades-Estados da Baixa Mesopotâmia, adotava-se o princípio de que cada cidade-Estado tinha um deus principal que a ?possuía?. 5.Nas cidades-Estados da Baixa Mesopotâmia, predominava a crença de eram as leis que governavam, e não os homens, visto que estes buscavam vantagens tangíveis na participação política e munificiência dos líderes. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 9ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A partir de meados do século XX, a História sofreu um alargamento das noções de objetos, de fontes e de métodos. Nas últimas décadas daquele século, uma das aproximações que a História estabeleceu foi com a Antropologia e com as teorizações que essa disciplina realiza sobre a cultura. Tomando como pressuposto o conceito de cultura a partir de sua concepção simbólica e o seu uso por parte de profissionais de história que participam de equipes multidisciplinares na realização de inventários de bens pertencentes à cultura material, analise as afirmações abaixo. 1.A participação de historiadores em inventários desse tipo poderia contribuir com a problematização das relações sociais no interior das quais os bens foram elaborados/produzidos. 2.Os historiadores poderiam também contribuir com as equipes na compreensão da lógica do simbólico e de como isso se manifesta em tempos e espaços específicos. 3.Os historiadores estariam aptos a pensar a produção de tais bens na relação com as demais dimensões do social, isto é, com a economia, com a política e com a organização social. É correto o que se afirma em

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Questão 10ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

No ano de 2008, foram comemorados os 200 anos da Chegada da Família Real ao Brasil e a consequente Abertura dos Portos. Durante as comemorações, o historiador José Jobson de Andrade Arruda lançou o livro Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos brasileiros (1800-1808). O autor assim interpretou um tema tão debatido nas pesquisas

sobre as relações de Portugal com suas colônias e de Portugal com as demais Metrópoles europeias: O segredo dos segredos: o projeto secreto atrás da convenção secreta de Londres Se a Convenção Secreta de Londres se define por ser o acordo sigiloso entre as altas autoridades portuguesas e inglesas, um segredo a todo custo preservado em relação aos seus inimigos de ocasião, sequer desconfiava o plenipotenciário português, e, por decorrência, o Príncipe Regente de Portugal, que havia um segredo dos segredos, um projeto secretíssimo urdido pelos ingleses em 1805 e 1806 que preconizava o envio de forças armadas britânicas ao Brasil, com ou sem anuência da Corte de Lisboa, destinada a conter possíveis insurreições que viessem a se precipitar no Brasil, à semelhança do que já ocorria na América espanhola. Desconfiava-se, mas não havia provas materiais até momento. Mas agora há, pois um documento inédito, localizado por Patrick Wilcken na British Library Manuscript Room, prova de sua notável sensibilidade de pesquisador, revela a frieza com que as autoridades britânicas tratavam as questões relacionadas com a política externa, plano que jamais as autoridades portuguesas poderiam imaginar, projetado para o caso de Portugal não aceder à vontade inglesa de transferir a Corte para o Brasil. Na avaliação de Wilcken, esse plano contingencial, elaborado antes de 1807, explicita um arrepiante exercício da realpolitk ARRUDA. J. J. A. Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos brasileiros (1800-1808). Bauru: EDUSC, 2008, p. 32-3. No que concerne ao papel desempenhado pela preservação documental e sua influência nos instrumentos válidos ao conhecimento histórico e para justificar um problema de investigação, analise as afirmações abaixo.

  1. A interpretação apresentada acima só foi possível porque o historiador australiano Patrick Wilcken descobriu um documento na sala dos manuscritos da Biblioteca de Londres e esse documento era, até então, inédito. 2.A interpretação apresentada acima critica a visão predominante na historiografia, que afirma que a Corte portuguesa teria vindo para o Brasil afugentada pelo exército de Junot. 3.O autor fez uma interpretação questionável porque se baseou em um só documento, único argumento forte de sua obra. 4.As referências acima minimizam os efeitos da Convenção Secreta de 1807, da qual participou o plenipotenciário e da qual resultou um documento conhecido, que influenciou interpretações porque o documento que o antecedera era desconhecido tanto da Coroa portuguesa quanto dos historiadores. 5.Se forem empregados os critérios de verificação interna e externa do documento, a afirmação do autor não seria validada, pois, mesmo que desconhecido, dada a sua anterioridade em relação ao que era sabido, o documento apontado como o segredo dos segredos destoa das práticas mais comuns na política externa inglesa do período. É correto apenas o que se afirma em
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Questão 11ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

O trabalho de enquadramento da memória se alimenta do material fornecido pela história. Esse material pode ser interpretado e combinado a diversas referências associadas; guiado pela preocupação não apenas de manter as fronteiras sociais, mas também de modificá-las, esse trabalho reinterpreta incessantemente o passado em função dos combates do presente e do futuro. PORQUE O trabalho de análise do passado se dá a partir dos interesses e do domínio metodológico que o historiador possui. O enquadramento da memória pela história é, costumeiramente, realizado por docentes e pesquisadores de história, quando não seguem a metodologia proposta pela história oral. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta.

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Questão 12ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Ao apresentar a obra O grande massacre de gatos, Robert Darnton atribui sua localização ao território da História Cultural, que

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Questão 13ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Uma das conclusões mais inquietantes a que me levou o ato de pensar sobre os novos países e seus problemas é que tal pensamento é muito mais eficaz para expor os problemas do que para encontrar soluções para eles. Há um aspecto de diagnóstico e um lado terapêutico em nossa preocupação científica com essas sociedades, e o diagnóstico parece, pela própria natureza do caso, ser infinitamente mais rápido do que o remédio. Portanto, um dos resultados de períodos muito longos e intensos de pesquisa cuidadosa é, em geral, uma compreensão muito mais aguçada de que os novos países estão em uma espécie de beco sem saída. O sentimento trazido por esse tipo de recompensa pelo trabalho árduo é o que imagino em Charlie Brown quando (...) Lucy lhe diz: ?sabe qual é o problema com você, Charlie Brown? O problema é que você é você?. Após um

quadrinho de reflexão muda sobre a irrefutabilidade dessa observação, Charlie pergunta: ?bem, e o que é que eu posso fazer??. E Lucy responde: ?Não dou conselhos, apenas aponto a raiz do problema?. A raiz do problema nos novos países é profunda e, não raro, a pesquisa social de pouco serve senão para demonstrar sua exata profundidade. GEERTZ, C. Nova Luz sobre a Antropologia, Rio de Janeiro: Zahar 2001, p.32 Considerando a problemática apresentada por Geertz no excerto acima, analise as afirmações que se seguem. 1.A pesquisa científica de natureza histórica, na contemporaneidade, tem como objetivo centralfomentar a produção da verdade sobre um dado acontecimento, devendo o historiador ter como norteamento lógico, no cômputo geral de seu estudo, a compreensão da totalidade daquilo que descreve. 2.Atualmente, as ilusões quanto às possibilidades concretas de historiadores ou cientistas sociais apontarem soluções para as grandes questões em que as nações estão imersas encontram-se não apenas diluídas, mas deixaram de nortear os estudos/textos realizados por estes. 3.Uma propositura interessante para os estudos nos campos da pesquisa e do ensino de História deve considerar como central o mimetizar das experiências dos mais distintos grupos sociais e sociedades, haja vista a urgência de se compreendê-lo como campo próprio de ação possível ao historiador. É correto o que se afirma em

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Questão 14ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

O que tem caracterizado os estudos da história das mentalidades é a insistência nos elementos inertes, obscuros, inconscientes de uma determinada visão de mundo. As sobrevivências, os arcaísmos, a afetividade e a irracionalidade delimitam o campo específico da história das mentalidades, distinguindo-se com muita clareza de disciplinas paralelas e hoje consolidadas, como a história das ideias ou a história da cultura. GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 23.

No percurso da historiografia francesa, a história dos Annales se fortaleceu nas décadas de 1960 e 1970 como História das mentalidades, influenciando a produção de outros países. No que se refere ao diálogo da história com outras disciplinas, a partir dos Annales, analise as afirmações abaixo. 1.O estudo de temas ligados à religiosidade, aos sentimentos e aos rituais beneficiou-se de procedimentos teórico- metodológicos da Antropologia. 2.A aproximação da história com as Ciências Sociais, ainda nas décadas de 1920 e 1930, possibilitou a utilização de conceitos como permanência e longa duração. 3.O diálogo com a Geografia possibilitou que algumas das obras dos historiadores ligados aos Annales transformassem o espaço em objeto de estudo para o historiador. 4.A relação estabelecida com os positivistas do século XIX fez com que os historiadores ligados aos Annales valorizassem a história política, a partir da Ciência Política. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 15ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

O alemão Erich Paul Remark (1898-1970), que lutou na linha de frente na Primeira Guerra Mundial, publicou, em 1929, sob o pseudônimo de Erich Maria Remarque, um romance de grande repercussão, intitulado Nada de novo no front. Em uma passagem do livro, o narrador afirma: Os professores deveriam ter sido para nós os intermediários, os guias para o mundo da maturidade, para o mundo do trabalho, do dever, da cultura e do progresso, e para o futuro. Às vezes, zombávamos deles e lhes pregávamos peças, mas, no fundo, acreditávamos neles. À ideia de autoridade da qual eram os portadores, juntou-se em nossos pensamentos uma compreensão e uma sabedoria mais humana. Mas o primeiro morto que vimos destruiu esta convicção. Tivemos de reconhecer que a nossa geração era mais honesta do que a deles; só nos venciam no palavrório e na habilidade. O primeiro bombardeio nos mostrou nosso erro, e debaixo dele ruiu toda a concepção do mundo que nos tinham ensinado. REMARQUE, E. M. Nada de novo no front. Trad. Helen Rumjanek. Rio de Janeiro: Abril S.A., 1974, p. 20. Estudando a Primeira Guerra Mundial e deparando-se com a passagem acima, que se reporta ao choque produzido nas relações entre as gerações, o historiador sintonizado com o debate atual pode formular importantes indagações sobre o uso dessa fonte de pesquisa. Nesse caso, seria correto ele concluir que

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Questão 16ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Raramente, na história, se encontraram duas personalidades tão contrastantes. Foi o encontro entre um homem que tinha tudo e um homem que nada tinha. Um imperador comparado com o sol, cujo rosto seus súditos não podiam contemplar, e detentor do título de Tlatoani, que quer dizer ?o da grande voz?, e um soldado com nenhum maior tesouro do que sua astúcia e sua vontade. Montezuma era governado pela fatalidade: os deuses tinham voltado; e Cortés, pela vontade, alcançaria seus objetivos contra todas as desvantagens. FUENTES, C. O espelho enterrado: reflexões sobre a Espanha e o Novo Mundo. Tradução de Mauro Gama, Rio de Janeiro: Rocco, 2001, p. 114-5. A partir dos acontecimentos que são evocados pela imagem e pelo texto, analise as seguintes afirmações. 1.A historiografia que valoriza elementos culturais e simbólicos em sua análise tem tratado a Noite Triste como uma batalha de insurreição encabeçada por Cuauhtémoc, que expulsou os Espanhóis de Tenochtitlan após os Astecas terem compreendido que eles não eram deuses, mas invasores que podiam ser derrotados. 2.A historiografia que cunhou a chamada ?visão dos vencidos? descreveu a conquista da América como resultado da crueldade e da ganância que detiveram o crescimento de civilizações jovens e criativas, tendo deixado um legado de tristeza. 3.A historiografia cultural interpreta a figura de Malinche como uma deusa pós-conquista, que traduz a civilização multirracial, uma representação que mescla sexualidade com formas de expressão e evoca simbolicamente a maternidade da primeira criança mestiça, pois a mestiçagem é um forte elo que reúne os descendentes de índios, europeus e africanos. 4.Bartholomé de Las Casas escreveu a mais importante obra da chamada ?visão dos vencidos? e, embora fosse um religioso ligado à Igreja Católica Romana, foi capaz de renovar os métodos historiográficos. 5.É comum, nas várias correntes historiográficas, o argumento de que o mundo indígena, tal como fora antes da chegada do conquistador, desapareceu; suas manifestações simbólicas, seus ídolos e seus tesouros foram enterrados e esquecidos em favor da Igreja Barroca dos cristãos e dos Palácios do Vice-Reinado, mas é possível identificar ?os murmúrios dos conquistados sob a linguagem dos conquistadores?. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 17ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Desde o princípio, os enfrentamentos políticos e militares que se produziram motivados pela independência das nações latinoamericanas foram uma questão que afetou a todo o sistema europeu e atlântico de que as colônias espanholas e portuguesas faziam parte. Porém, isso não constituía nenhuma novidade. Desde o século XVI, as fabulosas riquezas das Indias haviam provocado a inveja e todas as outras nações europeias, as quais intentaram obter vantagens e oporse a qualquer avanço da posição de seus rivais na América. No século XVIII, o Pacto de Família firmado entre as monarquias bourbônicas de Espanha e França significou uma ameaça para a Grã-Bretanha. No entanto, os ingleses encontraram uma saída ao praticar um extenso comércio clandestino com a América espanhola, mas não intentaram anexar a seu império nenhuma das colônias espanholas mais importantes. WADDELL, D. A. G. La política internacional y la independencia latinoamericana. In: BETHELL, L. (Org.). Historia de America Latina. La independência, Trad. Espanhola Ángels Solá. Barcelona: Editorial Crítica, 1991. p. 209 Considerando o sistema europeu e atlântico no período aludido no trecho acima, analise as afirmações que se seguem. 1.Nas contendas políticas entre Espanha e França, a Inglaterra apoiou a França, vindo a exercer um papel direto e efetivo nas lutas das colônias espanholas contra a metrópole, desembarcando na América grandes tropas militares. Esse aspecto desencadeou uma guerra entre Inglaterra e Espanha. 2.Os Estados Unidos, no início do século XIX, não foram afetados pela política napoleônica que interferia no mercado atlântico. Este fato motivou a jovem nação a não buscar proveito no rompimento dos laços coloniais hispanoamericanos, reforçando o pujante comércio que possuía com a Inglaterra e com a França. 3.Embora existisse a política de neutralidade inglesa com relação aos processos de independências da maioria das colônias hispanoamericanas, nas disputas entre o Texas e os Estados Unidos, a Grã- Bretanha apoiou a república do Texas, uma vez que esta havia se separado do México em 1836. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 18ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Em dezembro de 1994, o presidente [norte-americano] Bill Clinton conseguiu reunir, na Primeira Cúpula das Américas, em Miami, 33 chefes de Estados das Américas, com exceção de Cuba, para firmar o compromisso da região com a construção de uma área de livre comércio que deveria se estender do ?Alasca à Terra do Fogo? ? a ALCA. SANTOS, M. O poder norte-americano e a América Latina no pós-guerra fria. São Paulo: Annablume FAPESP, 2007. p. 147-9. A respeito da ALCA, avalie as afirmações a seguir. 1.Em relação à propriedade intelectual, os Estados Unidos tinham interesse na manutenção da proteção de patentes, principalmente em relação ao setor farmacêutico e de alta tecnologia. 2.Esse projeto de integração tinha como objetivo a criação de uma área de livre comércio, respeitandose regras particulares a cada país para serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual. 3.A ALCA pode ser entendida como a complementação e a consolidação jurídica do processo de reformas liberalizantes promovidas na região desde a década de 1970. É correto o que se afirma em

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Questão 19ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A primeira República e, em especial, as décadas iniciais do novo regime vêm ganhando crescente interesse e espaço na produção historiográfica brasileira. Dessa forma, muitos são os historiadores, particularmente os que se dedicam à história política e cultural, que têm retomado o período numa chave distinta daquela que o consagrou como República Velha, uma fórmula que certamente merece reflexões, a começar pela constatação de que, não casualmente, foi imaginada e propagada pelos ideólogos autoritários das décadas de 1920 a 1940. GOMES, A. C. A República, a história e o IHGB. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009. p. 21. As interpretações que revisam a primeira República a partir de novos olhares e que se propõem a analisá-la sem o adjetivo ?Velha?, tem demonstrado que

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Questão 20ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

No seu livro Sociedades do Antigo Oriente Próximo, Ciro Flamarion Cardoso realiza uma discussão sobre dois modelos teóricos e metodológicos que procuram explicar a constituição das organizações estatais nas sociedades da antiguidade do Oriente Próximo. Na sua explanação, o autor demonstra a inviabilidade da aplicação da chamada ?hipótese causal hidráulica?, elaborada do Karl Wittfogel, e a retomada, a partir dos anos de 1960, do conceito de ?modo de produção asiático?, conforme o trecho reproduzido a seguir. Entre os marxistas, o livro de Wittfogel ? que provocou grande indignação ? constituiu apenas um entre muitos fatores que deram impulso à retomada do interesse pelo conceito de ?modo de produção asiático?. Outros fatores foram: a ?desestalinização?, iniciada pelo XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, que, no campo do materialismo histórico, desencadeou um ataque à noção do unilinearismo evolutivo das sociedades humanas; o progresso dos movimentos de libertação nacional, sobretudo a partir da década de 1950, com a admissão sucessiva às Nações Unidas de numerosas nações afro-asiáticas, cujos problemas socioeconômicos específicos exigiam também respostas de tipo histórico; a ampla circulação dos Grundrisse, texto de Marx raticamente desconhecido até a mesma década, bem como a republicação de seus artigos sobre a Índia e de escritos de Plekhanov, Varga e outros autores acerca das sociedades ?asiáticas?. CARDOSO, C. F. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. São Paulo: Ática, 1986, p. 20. Abaixo, apresenta-se a reprodução do Estandarte de Ur. A análise desse documento permite detectar evidências que possibilitam a adoção do conceito de modo de produção asiático. A partir do que foi exposto acima, avalie se cada uma das afirmações a seguir identifica evidências que possibilitam o uso teórico e metodológico do conceito de modo de produção asiático. 1.A ilustração mostra a elite estatal de Ur coordenando, disciplinando e dirigindo o trabalho dos camponeses e os recursos necessários para a construção de obras hidráulicas. 2.A ilustração mostra uma distribuição igualitária entre os súditos da cidade-Estado de Ur dos bens provenientes do comércio intercomunitário e dos tributos extraído mediante coação fiscal. 3.A ilustração mostra um grupo ínfimo que subordina a si o trabalho das comunidades, pelas quais é sustentado, e decide por todos; este poder de decisão tende a se personalizar e ter como expoente uma só pessoa. 4.A ilustração mostra uma economia baseada na concentração, transformação e redistribuição dos excedentes extraídos por templos e palácios dos produtores diretos ? em sua maioria membros de comunidades aldeãs. 5.A ilustração mostra que a imensa maioria da população se dedica às atividades agropecuárias, entregando parte do que produz ao poder central, mas essa população não participava das decisões comuns. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 21ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Ao estudar o período Homérico, a partir dos poemas de Homero, a Ilíada e a Odisseia, Moses Israel Finley alinhavou um conjunto de categorias e conceitos para a reflexão histórica da sociedade grega à época. No texto abaixo, do seu livro Mundo de Ulisses, publicado, pela primeira vez, em 1954, o autor define o conceito de oikos como unidade política, cultural e socioeconômica do período. A casa patriarcal, o oikos, era o centro à volta do qual a vida se organizava e de onde provinham não somente a satisfação das necessidades materiais, incluindo a segurança, mas também as normas e os valores éticos, as ocupações, as obrigações e as responsabilidades, os vínculos sociais e as relações com os deuses. O oikos não era simplesmente a família; compreendia todas as pessoas da casa com seus haveres; daí resulta que a ?economia? (da forma latinizada, oecus), a arte de administrar um oikos, significava explorar um domínio, e não conseguir manter a paz na família. FINLEY, M. I. O mundo de Ulisses. 3 ed. Lisboa: Editorial Presença, 1988, p. 55. Acima destacam-se duas ilustrações que representam Penépole no exercício de um dos seus ofícios. Nelas, podem ser identificados alguns dos elementos constitutivos do oikos e apontados outros a partir das investigações e reflexões históricas de Moses Israel Finley. Nessa perspectiva, analise as afirmações a seguir. 1.Os thes eram trabalhadores especializados que realizavam serviços para o oikos, como carpinteiros, ourives, aedos, oleiros, sendo pagos normalmente pelas tarefas realizadas. 2.Os demiurgos eram trabalhadores sem especialização e sem vínculo com o oikos, vivendo da vontade alheia para arranjar algum serviço em troca de comida, vestimenta e dormida. 3.O chefe do oikos se voltava para as atividades políticas e guerreiras e a sua esposa se voltava para os afazeres domésticos e a administração da casa. 4.O celeiro era uma dependência do oikos, onde eram guardados todos os bens da família, configurando-se um processo de entesouramento. 5.O sistema de dom e contra dom ou dádiva e contra dádiva configurava um sistema de trocas mercantis entre os oikos e os comerciantes estrangeiros (os bárbaros). 6.Os saques e pilhagens eram expedientes utilizados pelos chefes dos oikos para obtenção daquilo que não podiam produzir ou obter para suas casas. Apresenta características do oikos, no período Homérico, apenas o afirmado em

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Questão 22ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Entre os Bárbaros, alguns ganharam especial fama de fealdade e brutalidade. Eis os Hunos na descrição célebre de Amiano Marcelino: ?A sua ferocidade ultrapassa tudo: sulcam de profundas cicatrizes, com um ferro, as faces dos recém- nascidos para lhes destruir as raízes dos pelos; e desse modo crescem e envelhecem imberbes e sem graça, como eunucos. Têm o corpo atarracado, os membros robustos e a nuca grossa; a largura das costas fá-los assustadores. Dir-se- ia que são animais de duas patas ou então daquelas figuras mal desbastadas, em forma de troncos de árvores, que ornamentam os parapeitos das pontes... Os Hunos não cozinham nem temperam aquilo que comem; alimentam-se de raízes selvagens ou de carne crua do primeiro animal que apanham e que aquecem por algum tempo na garupa do cavalo, entre as coxas. Não têm abrigos. Não usam casas nem túmulos...Cobrem-se com um tecido grosseiro ou com peles de ratos do campo, cosidas umas às outras; não têm uma roupa para estar em casa e outra para sair; desde que enfiam aquelas túnicas de cor desbotada, só as tiram quando elas estão a cair aos bocados...Não põem pé em terra nem para comer nem para dormir e dormem deitados sobre o magro pescoço da montada, onde sonham à sua vontade...? Amiano Marcelino. Apud LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval, 2. ed., Lisboa: Estampa, 1995, p.34. Considerando a iconografia do século XIV, que retrata o encontro entre Atila e o papa Leão I, e a descrição de um dos povos ?bárbaros? do contexto das invasões do século IV em Roma, feita por Amiano Marcelino, historiador e militar contemporâneo do fato, que representações se sobressaem desse período?

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Questão 23ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

No bojo da constituição do Estado Nacional brasileiro, é criado, em 1838, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), com a função de pensar a gênese da sociedade nacional. Temas como civilização e nacionalidade estiveram nas pautas do Instituto desde seus primórdios. Nesse contexto, assinale a opção que corresponde ao encadeamento correto entre nacionalidade e civilização no âmbito da História da Nação escrita no século XIX.

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Questão 24ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Considerando a divisão cronológica quadripartite da história ocidental, o período chamado ?Moderno? apresentou algumas marcas que lhe são peculiares. DELUMEAU, J. A Civilização do Renascimento. Lisboa: Estampa, 1984, vol I, p. 137. Em relação ao período referenciado no fragmento acima, assinale a opção correta.

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Questão 25ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

No início do século XVI, a crise da Igreja tornavase mais aguda, culminando com uma ruptura, a qual convencionou-se chamar de Reforma. Em relação a isso, Jean Delumeau afirma: com efeito, a principal fraqueza da Igreja não estava nos abusos financeiros da cúria romana, nem no estilo de vida, por vezes escandaloso, (...) Residia, sim, na muito deficiente instrução religiosa e na insuficiente formação dos pastores de almas (...) A Reforma nasceu, provavelmente, deste profundo desnível entre a mediocridade da oferta e a veemência inusitada da procura. DELUMEAU, J. A Civilização do Renascimento. Lisboa: Estampa, 1984, vol I, p. 137. A respeito desse capítulo da história ocidental, é correto afirmar que

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Questão 26ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Em 1920, depois de ter publicado livros como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos, o escritor inglês H. G. Wells publicou The Outline of History (Esboço de uma História Universal). No mesmo ano, o historiador Marc Bloch escreveu uma longa resenha sobre essa obra, da qual foram destacadas as passagens a seguir. Diante de um livro semelhante, duas atitudes são admissíveis. Pode-se se dedicar a apontar um a um os erros dos detalhes ? eles existem. [...] Ou, tomando-o absolutamente pelo que ele é e pelo não poderia ser, ou seja, uma obra tecnicamente imperfeita de um homem muito inteligente, pode-se procurar retirar dela as ideias mestras e evidenciar as tendências do espírito que ela revela. O trabalho crítico que está na base de nossas pesquisas evidentemente lhe é completamente estranho. Infelizmente sua obra está viciada por um defeito muito grave. Sua atitude diante do passado que ele examina com tanto ardor não é nunca a de um homem de ciência; porque o homem de ciência procura conhecer e compreender; ele não julga. O Sr. Wells julga sem parar. [...] Pode-se ser impunemente filho desse país onde desde séculos todos os movimentos liberais ou revolucionários são tingidos de puritanismo, onde quase tudo o que se fez de grande saiu do pregador? [...] Ele podia ser historiador. Cedendo a não sei que instinto hereditário, frequentemente ele foi apenas pregador. BLOCH, M. Une nouvelle histoire universelle: H. G. Wells historien. In BLOCH, M. L ́Histoire, la Guerre, la Résistance. Paris: Gallimard, 2006. p. 319-334. A argumentação de Marc Bloch reporta-se a importantes questões relacionadas ao conhecimento histórico. De acordo com as ideias expostas nesses fragmentos, a razão que levava Marc Bloch a não reconhecer valor de obra histórica ao Esboço de uma História Universal pode ser atribuída

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Questão 27ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Procurando definir o quadro das estruturas do sistema feudal, na Idade Média europeia, Hilário Franco Junior descreveu o período que vai do século IV ao século X como marcado por uma pequena produtividade agrícola e artesanal, consequentemente uma baixa disponibilidade de bens de consumo e a correspondente retração do comércio e, portanto, da economia monetária. Já para o período entre os séculos XI e XIII, a Idade Média Central conheceu importantes mudanças nos elementos que tinham caracterizado a fase anterior. Em primeiro lugar, a passagem da agricultura dominial para a senhorial. (...) Uma segunda transformação importante ocorrida nos séculos XI-XIII foi possibilitada pela existência de um excedente agrícola, o revigoramento do comércio. Este passou a desempenhar papel central na vida do Ocidente, com repercussão muito além da esfera econômica. [Para terceira transformação] Seu ponto de partida foi o crescimento demográfico e comercial, fomentador do desenvolvimento urbano. FRANCO JÚNIOR, H. A Idade Média, nascimento do Ocidente. 2.ed. Brasiliense, 2006, p. 36- 41 (com adaptações). Apresentamos abaixo uma ilustração relacionada às explicações do autor.

A partir das explicações das estruturas do sistema feudal, avalie as afirmações a seguir. 1.O mansus era a menor unidade produtiva e fiscal do domínio. Dele uma família camponesa tirava sua subsistência e, por ter recebido tal concessão, devia certas prestações ao senhor. 2.A terra indominicata era explorada diretamente pelo senhor. Ali estavam sua casa, celeiros, estábulos, moinhos, oficinas artesanais, pastos, bosques e terra cultivável. 3.O mansus serviles era trabalho gratuito, geralmente realizado três dias por semana, fosse para o cultivo da reserva, fosse para serviços de construção, manutenção e transporte. 4.As banalidades se referiam à albergagem, ou requisição de alojamento; taxa pelo uso dos bosques, anteriormente direito camponês; multas e taxas judiciárias diversas. 5.Corveia era o conjunto de pequenas explorações camponesas, cada uma delas designada pelos textos a partir do século VII por mansus, ocupados por escravos. É correto apenas o que se afirma em

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Questão 28ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Sobre o período de 31 anos compreendido entre o início da Primeira Guerra Mundial (1914) e o final da Segunda Guerra Mundial (1945), o historiador inglês Eric Hobsbawm afirma: [Após tantos conflitos,] a humanidade sobreviveu. Contudo, o grande edifício da civilização do século XX desmoronou nas chamas da guerra mundial, quando suas colunas ruíram. Não há como compreender o Breve Século XX sem ela. Ele foi marcado pela guerra. Viveu e pensou em termos de guerra mundial, mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam. Sua história e, mais especificamente, a história de sua era inicial de colapso e catástrofe devem começar com a da guerra mundial d e 31 anos. HOBSBAWM, E. A era dos extremos. O breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995. De acordo com a perspectiva de análise de Hobsbawm, avalie as afirmações a seguir. 1.Existe uma continuidade das motivações que levaram aos dois conflitos de proporções mundiais do século XX, por isso, são denominados de ?guerra mundial de 31 anos?.

2.O comunismo soviético pode ser considerado o ?grande edifício da civilização do século XX [que] desmoronou nas chamas da guerra mundial?. 3.Após 1945, evidenciaram-se os esforços das principais nações europeias e dos Estados Unidos em busca de um completo armistício. É correto o que se afirma em

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Questão 29ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

A obra abaixo, intitulada O leitor de breviário, à tarde, foi produzida, em torno de 1845-1850, pelo pintor alemão Carl Spitzweg.

A obra A aventura do livro: do leitor ao navegador, que consiste em entrevistas feitas com o historiador Roger Chartier, traz, na sua introdução, o seguinte comentário: Toda história da leitura supõe, em seu princípio, a liberdade do leitor, que desloca e subverte aquilo que o livro lhe pretende impor. Mas esta liberdade leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as práticas de leitura. Os gestos mudam segundo os tempos e lugares, os objetos lidos e as razões de ler. Novas atitudes são inventadas, outras se extinguem. As considerações desse fragmento textual fornecem elementos para o historiador refletir sobre a história das formas de apreensão do mundo, as sensibilidades e a formação da identidade dos grupos sociais e sua relação com as práticas de leitura. A partir dessas considerações, conclui-se que o quadro de Carl Spitzweg representa

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Questão 30ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Ao analisar, produzir e difundir o conhecimento histórico sobre a Renascença em sua época, Lucien Febvre fez referência à obra de Dürer, comentada por Michelet, para evidenciar que este,

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Questão 31ENADE·Diversas·2011História (ENADE)

Muitos historiadores do Tempo Presente testemunharam processos de redemocratização acontecidos após o fim das ditaduras militares e civis implantadas nas décadas de 1960 e 1970 na América Latina. Durante a década de 1980, diversos desses historiadores participaram de movimentos populares clamando pelo fim dos regimes autoritários. Considerando o processo de redemocratização acima mencionado, analise as afirmações que se seguem. 1.No Chile, o movimento levou, em 1989, à eleição de Patrício Aylwin, que assumiu o poder no lugar de Augusto Pinochet, propondo reformas democratizantes de restabelecimento as liberdades civis. 2.No Peru, na década de 1980, os movimentos Sendero Luminoso e Tupac Amaru apoiaram politicamente Alan Garcia e, posteriormente, Alberto Fujimori no processo de redemocratização. 3.No Haiti, na década de 1980, enquanto em outros países latino-americanos aconteciam lutas pela redemocratização, estabelecia-se um governo ditatorial, pondo fim ao período democrático iniciado na década de 1950 por François Duvalier. É correto apenas o que se afirma em

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