Ser bom, quando se pode, é um dever e, ademais, existem certas almas tão capacitadas para a simpatia que, mesmo sem
qualquer motivo de vaidade ou de interesse, elas experimentam uma satisfação íntima em irradiar alegria em torno de si e
vivem o contentamento de outrem, na medida em que ele é obra sua. Mas eu acho que, no caso de uma ação desse tipo,
por mais de acordo com o dever e mais amável que seja, não possui, porém, verdadeiro valor moral, já que ela se coloca
no mesmo plano de outras inclinações, a ambição, por exemplo, que, quando coincide com o que realmente está de
acordo com o interesse público e o dever, com o que, por conseguinte, é honorável, merece louvor e encorajamento, mas
não respeito, pois falta a essa máxima o valor moral, isto é, o fato de que essas ações sejam feitas não por inclinação, mas
por dever.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. In: VERGEZ, A.; HUISMAN, D. História dos filósofos ilustrada
pelos textos. 6. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, p. 269, 1984.
Tendo como referência esse texto, avalie as asserções que se seguem.
Dar uma esmola ou pagar uma refeição para um mendigo na rua, motivados apenas pela felicidade que sentimos quando
ajudamos pessoas em tal estado, é uma ação desprovida de valor moral,
PORQUE,
para Kant, somente a ação ditada unicamente pelo dever, isenta da influência de qualquer outra motivação, é que possui
valor moral.
Acerca dessas asserções, assinale a opção correta.