Um homem com 74 anos de idade chega ao Pronto Socorro de um hospital, acompanhado da esposa, com disfunção
respiratória, consciente e relatando forte dor em tórax e abdome. Recebe, no acolhimento, classificação de risco e é levado
à sala de emergência. Durante o atendimento, a esposa entrega os resultados de tomografia computadorizada que
revelam diagnóstico de carcinoma brônquico em estágio avançado, com metástases ósseas e hepáticas. Tenta
argumentar com a equipe de saúde, sem sucesso, a respeito da decisão do esposo de "não receber nenhuma medida
invasiva", de não ficar sozinho e de ter ciência de sua terminalidade. Entretanto, não é permitida a sua presença durante o
atendimento do marido, que é entubado e encaminhado à unidade de terapia intensiva (UTI). Três horas mais tarde, no
horário de visitas, que dura 30 minutos, esposa e filhos não conseguem interação com o paciente, que se encontra em
estado comatoso induzido por medicamentos. A esposa conversa com o médico e a enfermeira de plantão, relatando a
vontade do esposo e recebe a orientação de voltar no dia seguinte para conversar com o médico responsável. Solicita
permanecer junto ao esposo, pedido que lhe é negado em razão das rotinas da UTI. Mais tarde, no mesmo dia, a
enfermeira e a equipe médica comunicam-lhe o óbito do paciente.
Considerando a Política Nacional de Humanização, a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde e os Princípios da Boa
Morte, presentes no Caderno de Humanização na Atenção Hospitalar, avalie as afirmações a seguir, acerca da assistência
a ser prestada a esse paciente e à sua família.
I. Dado o quadro clínico do paciente, deve-se priorizar a realização dos procedimentos de suporte de vida, a despeito da
vontade anteriormente expressa pelo paciente à família.
II. Ao paciente deveria ter sido assegurado o direito à escolha de alternativa de tratamento e à recusa do tratamento
proposto.
III. Com base nos Princípios da Boa Morte, a equipe de saúde deveria ter assegurado ao paciente o controle sobre quem
estaria com ele em seu final de vida para ter tempo de se despedir.
IV. Na assistência ao paciente e à sua família deveriam ter sido respeitados os princípios da Política Nacional de
Humanização, que tem como proposta, dentre outras, o reconhecimento dos limites dos saberes e a afirmação de que o
sujeito é sempre maior que os diagnósticos propostos.
V. No caso do atendimento ao paciente, não foi possível considerar seus desejos e os de sua família, pois ele não tinha
condições de opinar, em razão do quadro clínico respiratório, sendo o estabelecimento de uma respiração efetiva e a
sedação para alívio da dor prioridades na tomada de decisão dos profissionais da saúde.
É correto apenas o que se afirma em