No acervo arquitetônico e paisagístico da cidade de Mariana, tombado pelo IPHAN, em 1938, destaca-se a Igreja de
Nossa Senhora do Carmo, edifício em pedra e cal, cuja construção foi iniciada em 1762. Contando com ampla
documentação, o monumento foi considerado pelo historiador da arte francês Germain Bazin como um dos mais belos
exemplares do rococó de Minas Gerais. Em janeiro de 1999, a igreja sofreu um incêndio devastador, que destruiu pinturas
e talhas originais, assim como o telhado, que ruiu, levando o púlpito e os altares laterais.
Analise as afirmativas a seguir, feitas a partir da necessidade de restaurar a igreja, considerando as posturas dos três
principais teóricos que inauguraram o campo da restauração dos monumentos, o francês E. E. Viollet-le-Duc, o inglês John
Ruskin e o italiano Camillo Boito.
I - Camillo Boito argumentaria contra a restauração da igreja, defendendo que fosse abandonada conforme o incêndio a
havia deixado, como advertência àqueles que não souberam conservar o monumento, e salvando-a da ação dos perigosos
restauradores.
II - John Ruskin defenderia que a igreja não fosse restaurada, já que considera que a restauração significa a destruição
mais completa que pode sofrer um edifício, e que é impossível restaurar o que foi grande e belo em arquitetura, tão
impossível como ressuscitar os mortos.
III - Coerente com a Teoria Conciliatória de que é autor, Camillo Boito sugeriria que a igreja fosse, em parte, restaurada,
como o faria Viollet-le-Duc, deixando-se sem intervenção nenhuma, a nave, que foi mais danificada, para que as marcas
do incêndio fossem preservadas, como o faria John Ruskin.
IV - Levando em consideração a ampla documentação existente, e considerando que restaurar um edifício não é mantê-lo,
repará-lo ou refazê-lo, e sim restabelecê-lo em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado
momento, Viollet-le-Duc empreenderia a reconstituição completa da igreja, perseguindo a unidade estilística do
monumento.
V - Considerando a importância histórica e artística da Igreja do Carmo, e a proporção do incêndio que tornou as
intervenções indispensáveis para a consolidação do monumento, Camillo Boito defenderia a restauração do edifício, desde
que os acréscimos, as renovações, os complementos e as adições, se indispensáveis e inevitáveis, demonstrassem não
serem obras antigas, mas obras de hoje.
São verdadeiras APENAS as afirmações